No Brasil hodierno, as incongruências discursivas e difamatórias que há tempos permeiam as ordinárias mentes que aditam-se a majoritária parcela néscia da população, adjacente às pautas midiáticas soturnas postuladas com cunho profícuo e de controle do pensamento nada silógico, transmutam as verdades éticas e morais oriundas da filosofia clássica e do juízo lógico – In dubio libertas. (Na dúvida, liberdade.)
Não obstante, é possível observar sem que haja a menor possibilidade de equívoco, o quão nefasto se apresenta o expediente vigente, uma vez em que o simples pensamento antagônico, divergente da sandice em histeria coletiva, se torna passível de penalidades cívicas e jurídicas – Ubi non est justitia, ibi non potest esse jus. (Onde não existe justiça não pode haver direito.)
A mácula à qual talham os desafetos do judiciário pela condenação sem pressuposto, e, em mera conjectura ideológica abjeta, é o ápice da macambúzia dialética em execução penal, a bel-prazer e demais caprichos enfadonhos pelos injurídicos outorgantes membros da facção da toga – Nemo iudex sine lege. (Ninguém é juiz sem lei.)
O silêncio que sobrevém da anátema sentenciada por tais impenitentes já é a própria, derradeira e mordaz implementação de um Estado de exceção, o qual por natureza é o avesso de tudo aquilo que os intransigentes, hediondos, bárbaros, facínoras, genocidas e injustos membros da toga abominam – o Estado democrático de direito – Perverso more. (De um modo contrário à justiça.)
Que as soberanas e incorruptíveis Iustitia e Têmis tenham misericórdia de vossas almas, oh, excelentíssimos inquisidores!
Audiatur et altera pars. (Que a outra parte seja também ouvida.)
Renato Cresppo – Bellaria Igea-Marina, Itália – é poeta, escritor, filósofo e pensador. Já foi colunista de grandes jornais em São Paulo e no Rio de Janeiro. É um dos fundadores do Boteco Poético. É um Livre Pensador!
