Ontem um sonho estranho que possa parecer,
Que nem era bem um sonho de qualquer jeito.
Eu sem notar a presença de meu próprio ser,
Não tinha coração, nem sequer tinha um peito.
Caminhando por um caminho sem rua nem calçada,
Eu não podia respirar porque também não tinha ar.
Sem pedras nem terra, sem água e sem mais nada:
Não existia o futuro, um sonho sem nada a sonhar.
Eu não sentia fome nem sede, roupas, nem corpo para usar.
Pecados não eram pagos e as virtudes não eram percebidas.
Nada, absolutamente, nada a pagar nem receber ou recusar;
Nem dinheiro, valores ou coisas a serem dadas ou recebidas.
Eu não tinha pensamentos e nem sequer uma lembrança,
Sem corpo e sem mente, sem alma e sem sequer religião.
Eu não era homem nem mulher, nem adulto nem criança;
Nem anjos existiam, sequer um católico, crente ou pagão.
Não era escuro ou claro, e não tinha cheiro nem cor,
Absolutamente nada existia e eu mesmo não havia.
Eu não sentia nem o prazer e nem mesmo sentia dor.
Ninguém havia comigo e nem a vida eu mesmo a via.
Não era o vazio nem o cheio, não era o nada nem era o tudo,
Apenas não era e não existia, não era o não e nem era o sim.
Não tinha objetos nem de desejo, não tinha amor nem estudo:
Apenas e também não era o começo nem o meio e nem o fim.
27/9/2006


Memórias Arrependidas de Um Poeta Sem Pudor
(Antologia Poética, de 1978 a 2025)
Barata Cichetto
Gênero: Poesia
Ano: 2025
Edição: 4ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 876
Impressão: Papel Pólen 80g
Capa: Dura
Tamanho: 16 × 23 × 5,2 cm
Peso: 1,50
Brindes Incluídos:
2 Marca-páginas da BarataVerso;
1 Marca-página BarataVerso em Couro;
2 Adesivos do BarataVerso;
1 Sobrecapa
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.




















