Minha sentença é viver o combinado dos dias, a poeira do ontem, entre céus de cinzas e azuis
As noites calorentas, fervilhadas de suores e bocas,
E aquelas frias, repleta de solidão.
Tão só, seria o imponderável, o inusitado
O que me feriu num corte profundo, sangrou além dos olhos,
Mudou o rumo do andar.
A felicidade impregnada num átomo de segundo
A matéria de um corpo que me fascina
O riso nas horas vagas,
E as minhas reminiscências, inventadas num poema.
A letargia dos hemisférios de uma noite de verão
Sobre fazer digno meus delitos menstruais
De se deitar na cama, fêmea, mulher, nua.
Resistir no caos, a mais uma noite, a mais uma insônia, a mais um recomeço amanhecido.
Que ferem em suspenso um rescaldo de fé
Minha verdade é do agora,
De todos os erros e acertos condensados, de todas as vezes em que sou pequena.
Quando meu corpo era outro, e tantas vestes não me vestem mais.
Dias ruins dizem sobre os legados uterinos.
O delírio pitoresco do interdito, do inaudito, cuja voz morreu em algum lugar do inconfessável às paredes
Me resta viver do hoje, dos beijos e acenos obscenos
Do amanhã, me bastam as incertezas, as minhas incoerências e reentrâncias.
Já desisti das desistências.
Eu me levo somente
26.02.20