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Somos Todos Cancelados

Demarcações ideológicas fazem parte do jogo de distração. Quando debates se perdem entre “ismos” e “istas”, o fato desaparece.

Os “cancelamentos” realizados em indivíduos que nadam contra a corrente em assuntos e pautas sócio-políticas não é um movimento, trata-se de um instrumento autoritário, travestido por afetação de virtude. Pautas identitárias são propagadas por um mercado que enxerga lucro e/ou sobrevivência. Entretanto, não me canso de salientar que, quem cancela também promove. Com raríssimas exceções, os comunicadores “cancelados” são apoiados por uma maioria esmagadora de cidadãos ativos nas redes sociais. Por este mecanismo precisamos entender com a mesma rapidez mercadológica quais as desvantagens e as consequências causadas em prol de uma sociedade sadia, palpitante pelo debate honesto, e com contraponto necessário. Quando um sujeito é “cancelado” ele perde seu sustento, ou seja, seu emprego, seu canal de comunicação com o público e há uma evidente orquestração de checadores anônimos. Em suma, é um estado nebuloso, onde a censura é a matriz metodológica.

Evitar que alguém exponha uma opinião é desmerecer a capacidade de entendimento do outro. Quando um juiz do STF afirma: “Não vamos deixar acontecer novamente o que aconteceu em 2018”, ele está declarando veementemente que não está preocupado com veracidade, e sim, fazendo ativismo político.

E por que somos todos cancelados?

Como um professor poderá abordar a temática da liberdade individual em sala se omitindo diante do autoritarismo do passaporte “vacinal” em pleno ambiente acadêmico?

Como um médico em exercício hospitalar e acadêmico poderá abordar o tema da “vacina” contra COVID-19, sem o tempo mínimo de aferição dos efeitos adversos e colaterais?

Como acreditar em jornalista que omite inúmeras e lamentáveis notícias sobre graves lesões e óbitos, sendo os comprovados e os suspeitos, em decorrência da inoculação?

Citei apenas três profissões, poderia indagar muitas outras, particularmente, estas me chocam profundamente.

Ressalto, não quero guerra contra vacinados, pelo contrário, quero o bom convívio. E, justamente, o estado saudável de convívio não se coaduna com a segregação.

Pessoas estão sendo impedidas de trabalhar, realizar matrículas, estudar, frequentar diversos ambientes (inclusive os pagos com impostos). Tenho, como sempre tive, inúmeras críticas ao ensino brasileiro, em fase escolar e fase universitária, entretanto, minhas diferenças não sobressaem ao meu respeito àqueles que desejam se ingressar. Afinal, muitos através do ingresso podem se juntar às metodologias atuais ou por dentro do mecanismo colaborar por modificações. Vejam só como é importante e crucial a liberdade e não o cerceamento de oportunidade, principalmente, tratando-se de algo em que a única certeza é a ausência de certeza.

Universidade exigindo passaporte “vacinal” que não protege ninguém é a assinatura histórica, comprobatória e segregadora, estampando a ausência da verdadeira ciência.

Percebam que o principal problema da educação brasileira não é a falta de dinheiro. A academia morreu!

Todos os dias eu leio dezenas de casos de cidadãos que perderam seus sustentos, oportunidades de trabalho, bolsas de estudos, sofrem coação, entre muitas outras tristes realidades, presentes apenas em ditaduras. A história não perdoará.

Ficar omisso e assistindo tal degradação civilizatória nunca foi uma opção. É hora da sociedade cível arriscar, mas nunca perder a capacidade de indagar, logo, pensar!

Quando a verdade – ainda que refutem – é abafada, a civilização enfraquece e o processo de servidão aumenta, e o mecanismo dos checadores (sem endereços) tornam o abafamento natural. Ninguém ganha, apenas o censor.

A sensação de medo constante diante de uma guerra tem método. Meus argumentos não têm o objetivo de amenizar a dor de ucranianos e russos. Sim! A população russa não apoia seu líder. Afinal, naturalizar o banimento de cidadãos com líderes maus nunca funcionou em estados de conflitos. Não é possível entender um conflito e levantar uma bandeira sem entender suas origens.

A ex-imprensa, atualizada com o nome Consórcio, não estoura a bolha. Cada um tem a sua guerra favorita.

A Guerra do Tigré, por exemplo, é um conflito armado entre Etiópia e Sudão em andamento desde novembro de 2020. No momento existem milhares de refugiados e um número não identificado de vítimas.

A verdade aterradora é que sempre estivemos longe de um estado ideal de paz mundial, mas, a servidão intelectual anulou a cognição ampla, fazendo pessoas ainda acreditarem que o uso de máscara e a inoculação em massa de substância não aferida em termos de segurança e eficácia são representações do senso de humanidade/valoração do senso de coletividade.

Demarcações ideológicas fazem parte do jogo de distração. Quando debates se perdem entre “ismos” e “istas”, o fato desaparece.

Recentemente a rede social Telegram foi censurada no Brasil, em decisão monocrática do ministro Alexandre de Moraes, também conhecido como Xerife, taxada como uma espécie de metralhadora de “fakenews” e campo aberto para criminosos.

O mal habita a praça pública e não o contrário. Havendo a normatização de ações desta estirpe não demorará para fecharem espaços públicos ao invés de capturarem os criminosos. A utilidade pública do aplicativo de mensagens não teve peso na decisão de Moraes.

Pior que a censura é a autocensura. A queda de credibilidade de jornais tradicionais, fechamentos de redações, diminuição constante de tiragens, redução de assinaturas digitais são reflexos da falta de respeito com o leitor, praticado pela outrora grande mídia.

O bom jornalismo sempre esteve atrelado à liberdade de expressão. Enquanto o mercado da verdade seletiva nos assombrar, veremos muitos assassinatos de reputações, como se não bastasse a reabilitação do maior ladrão da história brasileira, realizada pelo poderio manobrista de uma toga apadrinhada pelo próprio bandido.

Dinho Ferrarezi, de Juiz de Fora, MG, é jornalista e Livre Pensador!
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Genecy de Souza
Genecy de Souza
12/05/2024 10:03

Na Rússia bolchevique, na Itália fascista, na Alemanha nazista e demais regimes similares, os cancelamentos ocorriam por força dos tiros, torturas e longas penas de prisão (o que equivalia a morte). Essa prática se tornou bastante comum após a Segunda Grande Guerra. Nos dias atuais, os cancelamentos são, digamos, não-sangrentos, tampouco fisicamente violentos. Todavia, o objetivo continua o mesmo: silenciar vozes discordantes utilizando métodos mais suaves e com outros nomes, tendo como mote a “defesa da democracia”. Uma democracia em que apenas um lado pode suas ideias. Os “defensores” da democracia estão incrustados na imprensa tradicional, nas instituições do Estado, nas universidades e onde mais houver espaço para o pensamento.

O exemplo da vacina contra o vírus chinês é um ótimo exemplo do exercício da censura sobre a população, a qual, por força de uma campanha insidiosa teve que se render à pressão daqueles que se julgam agentes do bem e defensores da vida. Ainda vai levar um certo tempo para que a humanidade se dê conta da loucura a que foi submetida, sobretudo com o apoio da grande imprensa.

Também fui vacinado, mas não sei se aquela coisa que foi injetada quatro vezes em meu corpo de fato está me protegendo, ou se é uma bomba que irá ‘explodir’ em algum momento. Sou uma cobaia.

Conteúdo Protegido.
Plágio é Crime!

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