A produtora Brasil Paralelo disponibilizou no YouTube um documentário que expõe a grave crise a que povo argentino está submetido. Um caso que exige reflexão e abre os olhos dos brasileiros. O perigo está ao sul.
“Isto não será fácil, você achará isso estranho
Quando eu tentar explicar como eu me sinto
Que ainda preciso seu amor depois de tudo que fiz
Você não acreditará mim
Tudo que verá é a garota que conheceu outrora
Embora esteja vestida de gala
E tão confusa
Eu tive que deixar acontecer, eu tive que mudar
Não podia ficar toda a minha vida no chinelo
Olhando pela janela, ficando fora do sol
Então eu escolhi liberdade
Correndo ao redor experimentando de tudo
Mas nada me impressionou de verdade
Eu nunca esperei isso
Não chore por mim Argentina
A verdade é que eu nunca te abandonei
Durante os meus dias descontrolados
Minha louca existência
Eu mantive minha promessa
Não mantenha sua distância
E sobre a fortuna, e sobre a fama
Eu nunca as convidei
Embora parecesse ao mundo
Elas fossem tudo que eu desejei
Elas são ilusões
Não são as soluções que prometeram ser
A resposta estava aqui todo tempo
Eu te amo e espero que você me ame
Não chore por mim Argentina
Não chore por mim Argentina
A verdade é que eu nunca te abandonei
Durante os meus dias selvagens
Minha louca existência
Eu mantive minha promessa
Não mantenha sua distância
Já falei demais?
Não há mais nada
Que eu possa pensar em dizer para vocês
Mas tudo que você tem a fazer é olhar para mim
Para saber que cada palavra é verdadeira.”
(Don’t Cry for me, Argentina, de Andrew Lloyd Weber e Tim Rice, 1976, da peça Evita).
Um país orgulhoso de seu passado. É o que muita gente diz, suspirando e expressando um mix de emoções que denotam tristeza, vergonha, revolta, decepção e, o que é pior: um absoluto sentimento de impotência diante da dura realidade que se impõe sobre o povo argentino, agravada, sobretudo, pela pandemia do vírus chinês, o qual deu ao governo carta branca para trancar a população a título de “salvar vidas”, e assim, sair fortalecido política e ideologicamente dos embates com seus adversários derrotados na última eleição em 2019, que trouxe Cristina Kirchner de volta ao poder, desta vez disfarçada de vice-presidente, em uma manobra para escapar das sérias acusações de corrupção que pesam sobre si. Cumprindo o papel de presidente da República Argentina (nome oficial do país), está Alberto Fernándes, na verdade, um poste da viúva de Nestor Kirchner.
Esta é a síntese do documentário A Queda Argentina, produzido pela Brasil Paralelo e disponibilizado para o grande público no YouTube. Divido em três partes, o documentário apresenta um apanhado de informações históricas que se encadeiam e expõem de maneira clara e objetiva, sem desvios narrativos desnecessários e, o que é melhor: em linguagem clara e objetiva, de como os argentinos estão chegando ao fundo do poço, graças a repetição de velhos erros lições nunca aprendidas. Essa maldição grudou na América Latina de tal modo, que são poucas as chances de livrar-se dela em curto prazo.
Como não poderia deixar de ser, a história da argentina está repleta de golpes de estado, revoluções, crises econômicas e políticas, assassinatos, greves, planos econômicos, desemprego, sindicalismo radical, inflação, guerras e, muito… Muito, populismo. De esquerda e de direita – que fique bem claro. E bem claro está no documentário.
Em A Queda Argentina há um personagem que define muito bem o senso comum do povo: Juan Domingo Perón, o fundador do peronismo, a doutrina política inspirada no fascismo que, desde a década de 40 do século passado moldou o espírito político dos argentinos, estando presente em todos os setores da sociedade. Mesmo nos períodos em que esteve fora do poder, jamais deixou de influenciar as massas. O peronismo voltou novamente ao poder em 2019. Desta vez, dadas as circunstâncias, a doutrina do velho general está sendo posta à prova.
Outro fator a destacar é a alta qualidade do documentário. A Brasil Paralelo realizou um extenso e cuidadoso trabalho de pesquisa, resgatando imagens valiosas dos mais diversos fatos da história argentina. A riqueza de detalhes, aliada à clareza da narração prendem de tal maneira a atenção do espectador, levando-o à estupefação em diversos momentos. Obviamente, o documentário contém mais material disponibilizado para os assinantes da produtora. No entanto, a versão compacta disponibilizada gratuitamente não deixa, em nenhum momento, o espectador carente de informação.
A Argentina é, desde sempre, a eterna rival do Brasil, sobretudo no futebol. Nossos hermanos ao sul sempre disputaram a liderança do continente sul-americano, com ou sem Mercosul. Por ora, quem dá as cartas é o vírus importado da China, restando saber qual dos dois países melhor sairá na foto pós-pandemia. Ao que se percebe, a pátria de Carlos Gardel, Diego Maradona, Evita Perón, Che Guevara, Jorge Luís Borges e o para Francisco, só para citar alguns, está levando a pior, e cada vez mais parecida com a Venezuela. Em ambos os países – reconheça-se – a maioria dos eleitores escolheu seu destino, e está pagando caro por isso. Por outro lado, aqui, no País tropical abençoado por Deus e bonito por natureza, o destino escolhido pelos argentinos é um pesadelo constante.
03/03/2021
Atenção: este texto reflete apenas o meu ponto de vista sobre o fato, não significando que eu esteja com a razão. Contudo, você é livre para manifestar para manifestar sua concordância ou discordância, desde que mantido o mínimo de respeito pela minha opinião.
(Texto Publicado Originalmente no Extinto Site “BarDoPoeta, em 2021)
Genecy Souza, de Manaus, AM, é Livre Pensador.
Possui textos publicados na revista digital PI Ao Quadrado e na revista impressa Gatos & Alfaces.
