Aprecio observar as flores da estação, desistindo de qualquer tentativa inútil de sobrevivência, numa manhã de domingo.
Assim se apressa o caminho, se risca o atalho,
O ato falho, o verbo inútil.
A esquina é logo ali,
só um inaudito, dobrar dos pés.
No final, todos morremos sós e nus,
Sem pétalas a se cobrir as genitálias
mesmo que nos enterrem com roupas de gala,
Estaremos indiscutivelmente nus.
Gosto de ver sarjetas sujas, espelhos d’água, em dias de chuva fulgurante
Devolvem o lixo que se tenta esconder da vida,
Nas beiradas do asfalto, no limite do cinza.
A podre hipocrisia beneficente, que serve só aos lados daqui,
E aos outros, dada a cegueira da indiferença canibal.
Arrancam-lhes, os olhos e o ossos que ainda prestam.
Nada a se acrescentar sobre o inviolável,
Que nos valha em ato de autodefesa.
Há de se ouvir mentiras e enredos torpes,
Descrevendo a vida dos santos homens mortos,
Como se o ontem vivido, fosse subvertido na sua semente
E as falsas falésias, e as inúteis falácias,
tentando enganar a vida, tentando fugir da morte.
no final, só a dança definitiva da desistência do corpo,
E, para os que acreditam, os acertos fatais.
Dá para se morrer várias vezes num dia, entre hoje e amanhã, também.
É que prefiro me vestir da pele, habitar-me ao fim.
Para que se serve o feixe de linhas, no sólido embaraço de nós?
Se o que se resta é a nudez poeirenta e única.
Jul 21