O que me sabes, além dos olhos?
Do prateado do cabelo e da cor predileta?
Das noites em que não sei dormir
E procuro nas estrelas respostas insondáveis
Ao meu delírio matutino de amor.
É que ando nua
E por vezes, o silêncio faz frio.
Não sei por qual me tenho
Onde me recebe o corpo
Se amante, louca ou poeta,
Ou só a mulher, dos verdes olhos desencontrados dos seus,
elas são todas de mim
Vestida da pele que carrego,
Nos tempos dos esquecimentos.
Meus pelos pubianos, crescem ao acaso dos dias
Qual é o canto do meu verso,
Se a rima solta, não cabe no soneto perfeito
Sou a estrofe distraída arredia ao poema.
Só sei ao incerto, dançar no vento.
O que me sabes
Se eu também não me sei
De nada poderei te adiantar sobre os dias.
Talvez a chuva nos acomode nessa tarde
Já é tarde, para descobrir amanhã.
São todas as perguntas, os meus versos
Não me guarde em gavetas de poeira.
17.Ago.20