Procuro uma casa que me acolha ao colo
Que me leve de encanto, me abstenha dos abcessos diários,
E dos excessos dos silêncios que se engasgam em si mesmos, nas noites de largo escuro.
Há de se ter prece murmuriosa e olhos serenos.
Que tenha paredes mornas e plácidas, que seja rio
Receba meu corpo navegável, emoldure meu contorno,
Me desenhe sem culpas, e me ame aos pelos,
com a ausência exata dos pudores carnais.
Violável, no que se é permitido aos dentes de solto riso.
Onde se nade sem correntes, e a correnteza mansa,
cubra os olhos da criança que nina, ouvindo as lembranças das boas manhãs.
Que tenha telhado amarelo ameno, sem belicosas torres pontiagudas, que queira paz e bom juízo, disfarçado de bobagens doces.
Um ninho de quentura sóbria, sem tropeço ou embaraço,
De braço e abraços, de se colar a pele aberta,
Ao som ácido das nossas ranhuras, de dizer amor.
há de se ter lábios amalgamados, nas bençãos de um gozo.
Um lugar de portas largas e arestas pequenas
De se fugir das incertezas dos teus olhos de adeus.
Que me salve das quedas, que me ensinam maior e diferente que o voo
Que me faça pertencimento ao sangue
E me cubra num manto de águas azuis.
Julho 21