[Quanta generosidade cabe num maço de cigarros]

Quanta generosidade cabe num maço de cigarros
Companheiro de solidão e noites insones
Tabaco nicotina cianeto alcatrão
ou qualquer outro veneno.
Talvez me devolvam a mim
Alguma coisa que me mova, acorde.
O pensamento em desvario
Perdido, no fundo dessa íris
Congelada.

A fumaça se esvaindo, como se quisesse abandonar
O maltrapilho corpo
Deixando-me à sós, com os monstros
Que, na noite saem em desespero
Por um gole de absinto cicuta arsênico,
Ou uma boa e bela mentira de amor

Encontram outra alma aflita
Fumante desesperada.
Partilham as cinzas o copo as dores
E, as horas queimadas.
Sangram e morrem mais um pouco.
enfisema infarto câncer
Ou a simples e boa solidão.
Indiferente desilusão.

04\05\19

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta, escritora… E, claro, Livre Pensadora!

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