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O Que Seria Se Não Fosse

No coração da cidade, onde os prédios se erguiam como gigantes de concreto, vivia um homem. Ele era um contador de histórias, mas não das histórias que você ouve em festas ou lê em livros. Contava histórias sobre realidades alternativas, mundos paralelos e escolhas não feitas.

Um dia, enquanto caminhava pelo parque, encontrou uma velha senhora sentada em um banco. Ela tinha olhos cansados e um sorriso enigmático. Se aproximou e perguntou:

— O que a senhora faz aqui, sozinha?

A senhora olhou para ele e disse:
— Eu sou a guardiã das possibilidades. Vejo todas as escolhas que as pessoas fazem e as consequências que se desdobram a partir delas.

Ficou intrigado. Perguntou:
— E se eu pudesse voltar no tempo e mudar uma decisão? O que aconteceria?

A senhora sorriu e apontou para um espelho dourado que estava ao lado dela. Ele olhou para o espelho e viu seu reflexo. Mas algo estava diferente. Estava usando um terno azul-marinho em vez de sua camiseta xadrez usual.
— Entre no espelho. — disse a senhora. — Explore as possibilidades.

Hesitou por um momento e, em seguida, deu um passo em direção ao espelho. Sentiu um turbilhão de emoções enquanto atravessava o vidro. Quando emergiu do outro lado, estava em uma realidade completamente diferente.

Nessa nova realidade, era um pianista famoso. Ele tocava em grandes salas de concertos e tinha uma vida cheia de glamour. Mas algo estava faltando. Não tinha amigos verdadeiros, nem amor verdadeiro. Era apenas um virtuose solitário.

Voltou ao espelho e atravessou novamente. Desta vez, era um cientista brilhante, prestes a descobrir a cura para uma doença mortal. Mas sua vida pessoal estava em ruínas. Ele havia perdido sua família e seus amigos por causa de sua obsessão pela pesquisa.

Continuou atravessando o espelho, explorando todas as possibilidades. Era um escritor, um explorador, um criminoso, um mendigo. Em cada realidade, ele encontrava algo valioso, mas também algo perdido.

Finalmente, voltou à senhora no banco do parque. Estava exausto, mas também mais sábio. A senhora sorriu e disse:
— Você viu o que seria se não fosse. Agora, escolha o que será.

Olhou para o espelho uma última vez e viu seu reflexo. Ele estava usando sua camiseta xadrez e segurava uma caneta. Ele sorriu e disse:
— Eu escolho ser um contador de histórias. Porque, no final das contas, é isso que realmente importa.

A senhora assentiu e desapareceu. Ele voltou para casa e começou a escrever. Ele contou histórias sobre realidades alternativas, mundos paralelos e escolhas não feitas. E, em cada palavra, ele encontrou um pouco de si mesmo.

Se quiser explorar mais possibilidades, basta olhar para o espelho.

Renato Pittas, Rio de Janeiro, RJ, é artista plástico, poeta, escritor e Livre Pensador. Autor de Tagarelices: Conversas Fiadas Com as IAs.

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Mara Regina Ferreira
Mara Regina Ferreira
06/06/2024 20:19

Sensacional caríssimo poeta !

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Plágio é Crime!

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