Quisera receber, merecer afetos dos homens,
Tal qual os passarinhos que moram nas encantadas,
Ou outro qualquer bicho que vaga sobre o chão de minha casa
É que sou só, cansado de andanças e das rotas sem cheganças, sob o sol de Capricórnio.
As marquises e berlindas são lugares de despedidas.
Quisera ter pais ou filhos, ou amigos de outras nascenças,
Ou qualquer chegado forasteiro de falas mansas,
Para que pudesse me fazer coro, nos cantos de silêncio daqui.
Não sei rezas auspiciosas, nem preces de mãe.
Meu sangue vermelho, nem se parece mais com os dos outros viventes
Carrega hemoglobina de mais ou de menos que o padrão desejado
Serve somente aos caninos dos dentes das feras que se alimentam das minhas carnes
Sinto seu morno escorrimento sobre a pele ainda aberta.
É que as feridas de um solitário, custam a secar nos relentos da noite
Não há sol suficiente depois dessas janelas.
Os olhos refletem despertencimento.