Mas afinal que oratória é esta que me escapa pela boca em suspiros?
Rogo sentir paixão, uma afeição, uma razão viva e ardente
todo desejo, ansiedade e agonia;
Peço em orações, mil desejos, algumas a mais me escapam, peço, e quem sabe, o bem venha a ser a minha desgraça, mas peço
viver sem recompensa é duvidar de si, quem sabe seja duvidar da benção ou de um deus
Escrever é também caminhar ao longo do caminho em buscas
Caminhar na existência para encontrar-se, ou dizer alguma coisa que sem sentido para causar perturbação
Por vezes, em precária certeza sobre a chegada ao destino, pensamos: nunca se termina à chegada, tudo começa logo além
Pois não se chega a nada sem duvidar, sofrer, chorar eternamente;amar quem não ama?
quem não sente?
Dizem, com vozes sussurradas que o amor precisa, antes de tudo, do silêncio, pois sua beleza, é o azul mais puro, uma
indomada e mágica clareza que ultrapassa
os limites de todas as linguagens humanas
E eu me calo então, quando tudo no ar é contradição, e até que se firme os pés numa única e insofismável certeza,
Eis-me no chão, a amar então, mas sem nunca saber onde piso.
Charles Burck, é o heterônimo de Wilson Costa, Rio de Janeiro, RJ. Autor, romancista, poeta e webdesigner.
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