Levou um tempinho no inicio… Mas há muitos anos eu já entendi que o Rock In Rio não é, e nunca foi, um festival de Rock. O nome é uma alusão ao Rock ‘n’ Roll, sim. Por sinal, uma grande sacada, colocando a cidade do Rio no nome, criando uma marca excelente, perfeita para o marketing. Nunca pode trocar de nome, porque tem pouco Rock. É o melhor nome e logomarca já criados. Fato!
A palavra Rock, além do estilo musical, contemplado no Fest, tem muitos outros significados na língua inglesa: Agito, Festa, Onda, Muvuca, Balada, Detonação… e afins. Tudo isso NO RIO.
Portanto, tudo cabe, é um encontro de pessoas com uma festa de artistas, ao vivo. Desde a primeira edição (Foto/85, abaixo) teve essa mistureba de estilos. O Rock/Heavy foi apenas 25% do cast de estreia, somado a muita coisa diferente, do pop à MPB. As demais edições seguiram parecidas. Teve uma com 36% de Rock, não lembro agora. Resolveram estipular os dias de Rock, Metal, POP e etc… Pra não repetir as cagadas que houve no passado (Lobão, Carlinhos Brown). Tem coisas Excelentes, Boas, Ruins e Péssimas… Cada qual escolhe o seu dia, se tiver grana (é caro $$$) vai e curte… O Fest é tradicional, seguirá com bom público – apesar dessa edição 40 anos estar bem fraca -. Resumindo: Chega de dizer que é Pop in Rio, que tem de mudar de nome. Num tem!… “Rock in Rio” é o melhor nome do mundo, e está perfeitamente adequado ao que se propõe… Música no Rio.
Roosevelt Bala é fundador da banda Stress, a pioneira no Heavy Metal brasileiro, considerada na Europa como os criadores do Thrash Metal. Belém, PA.

O primeiro Rock’n Rio foi o marco para minha entrada no fascinante universo do rock. Ou seja: passei a dar maior atenção a esse gênero. Antes disso, o rock and roll era uma coisa só; música feita para agitar.
Evidentemente, como muitos jovens em 1985 não entendiam a razão de o festival apresentar Ivan Lins e AC/DC; Elba Ramalho e Scorpions; ou ainda, Erasmo Carlos e Whitesnake, eu também não entendia essa mistureba de gêneros, ritmos e estilos. A coisa foi se aclarando com o passar dos anos, pois o Rock’n Rio era, antes de tudo um negócio, uma ideia que deu muito certo, apesar de uma centena de contratempos, entre elas, a hostilidade do então governador Leonel Brizola para com o festival.
Para mim, o Rock’n Rio só foi interessante (noves fora as ’emepebices’, ‘popices’ e ‘bestices’ de sempre) até a terceira edição. Depois, meu desinteresse foi aumentando a cada edição, até chegando a zero às portas do 40º aniversário do festival.
Ok. O Rock’n Rio é uma marca lucrativa, um parque de diversões multi-qualquer coisa, e nele cabe tudo. Infelizmente. O rock que curto busco em outras fontes.
Com a diferença temporal de que, em 1985 eu já tinha bons anos de estrada roquistíca, compartilho ainda assim com sua opinião sobre o festival, mas o que o Bala coloca é algo irrefutável. Simplificando: “Rock In Rio” é uma marca, muito bem sacada. e não podemos esquecer que os maiores festivais que referenciamos como “de Rock”, como Woodstock, etc, tinham muita “musica caipira americana”, Blues, etc. Rock, antes de tudo, é uma marca. Que (ainda) vende. E bem!
Pois é. Rock in Rio é uma marca, e nada tem a ver com o Rock. Tanto é (e não há nenhuma novidade nisso) que a edição de 40º aniversário terá Chitãozinho & Xororó. Negócios, negócios…