Só o acaso tem voz rouca, eco, timbre, aurora boreal
Chamamento agudo, sortilégios, desígnios divinos.
Só a ele, dá-se o nome, foge, renega o dito.
Se esconde o corpo, reza o terço, se apieda do fim.
Só o acaso, cristal raro, no mudo cotidiano dos vidros tortos.
Tem a cor melodiosa do silêncio.
Irreal, é a simetria da perfeição,
Quando tudo só se é rascunho de algo.
O embaçado no embaraçado dos dias sem fins
Inconclusos, obtusos, fatais.
No encontro inevitável dos sóis das ascendências,
Queimam línguas bastardas
Em céus de boas bocas.
As justificativas dos fatos.
Se tudo é igual, como se reconhece a sorte da sina?
Éramos dois estranhos em esquinas distintas
Até que o acaso, lambeu a vida.