Tenho milhares de motivos para, se não odiar, pelo menos não dar a mínima para o Natal. O primeiro e mais óbvio é que sou ateu convicto, e assim, o maior motivo – ao menos o que deveria ser –, a comemoração do nascimento de Cristo (que, sabe-se, não nasceu nessa data), para mim não faz o menor sentido. O segundo maior motivo é que tive os meus maiores dissabores e tristezas justamente nesses dias, sendo o maior deles a partida do plano terrestre do melhor ser humano com quem já convivi: minha avó, a Izaura, que também foi minha melhor amiga. O último dia em que a vi sobre a Terra foi no Natal; ela partiria três dias depois. Isso aconteceu há mais de quarenta anos, mas me marcou profundamente.
Outro fato é que, antes e depois disso, vários eventos tristes me assolaram, a ponto de, por vários anos, eu odiar esses dias de “Festas Natalinas”. Algo que sempre me irritou nesse período é que a hipocrisia de muitos aflora: pessoas que passam o ano inteiro odiando, invejando e prejudicando as outras, no Natal as beijam, abraçam e desejam “Feliz Natal”. Cheguei até a chamar, por muito tempo, o Natal de “Festa da Hipocrisia Mundial”.
Entretanto, como respeito todas as crenças individuais, embora não concorde com nenhuma religião, agradeço e retribuo todos os votos. Ademais, e creio ser o motivo maior, vejo nas comemorações do Natal cristão um momento em que as pessoas – a maioria, pelo menos – deixam um pouco (um pouco mesmo) suas vaidades e orgulhos e realmente se propõem a ser mais humanas. E, claro, é um raro momento em que estamos com pessoas de quem gostamos – mesmo que algumas nem tanto.
Assim, não sou desonesto nem hipócrita ao aceitar felicitações pelo Natal e, sinceramente, retribuir.
Sendo assim, Feliz Natal a você e a todos que você ama e respeita!
Barata Cichetto, 24/12/2024

Concordo plenamente com seu posicionamento.