O Triângulo Mais Perigoso do Mundo

Dizem que o Triângulo das Bermudas engole navios, apaga radares, desmagnetiza bússolas e transforma capitães experientes em protagonistas de lendas marinhas. Eu acredito. Mas desconfio que isso é brincadeira de criança perto do poder devastador do Triângulo de Vênus.

Porque, veja bem: o das Bermudas faz desaparecer barcos; o de Vênus faz desaparecer casamentos, economias inteiras e em alguns casos até parte da sanidade humana. É uma entidade geográfica menor, mas um fenômeno antropológico maior.

O Triângulo do Dragão, lá no Japão, também tem sua fama: ondas gigantes, vulcões submarinos, barcos que simplesmente deixam de existir. Só que no Triângulo de Vênus não precisamos de tsunami — basta um olhar torto, um perfume leve, uma promessa mal interpretada — e pronto: abdicam-se tronos, vendem-se carros, some a poupança de trinta anos, e o sujeito passa a viver de miojo enquanto canta “foi sem querer querendo”.

O Triângulo de Nevada tem turbulências, ventos malucos, aeronaves sendo cuspidas como papel. Tudo muito sério. Mas tente explicar ao sujeito apaixonado que o vento de Nevada é mais traiçoeiro do que a brisa morna de um sábado à noite quando certos convites aparecem no WhatsApp. Um vento derruba um avião; o outro derruba reputações.

A história está cheia de provas científicas — ou melhor, anedóticas — do poder devastador do Triângulo de Vênus:

Edward VIII, por exemplo, olhou para Wallis Simpson e disse: “Coroa? Reino Unido? Ah, deixa pra lá.” É como se tivesse atravessado a fronteira proibida e o radar tivesse falhado. O homem conseguiu abdicar de um império com a facilidade de quem cancela um plano de telefonia.

Marco Antônio e Cleópatra… bom, esse caso é quase didático. O sujeito, general respeitado, braço direito de César, futuro possível governante de Roma, simplesmente resolveu desafiar o Império porque… porque entrou no triângulo errado. Ou certo, depende do ponto de vista. Roma ganhou; ele perdeu a guerra, o orgulho e, no fim, a própria vida. Cleópatra também perdeu — mas, convenhamos, entrou para a História com estilo.

Casanova, então, é o guia turístico permanente desse território. Ele não navegou mares, navegou pernas. Não desapareceu num oceano, desapareceu em dívidas. Não enfrentou tempestades, enfrentou maridos.

E Mata Hari, por sua vez, levou o Triângulo de Vênus ao nível internacional: dançou, encantou, envolveu-se com generais e acabou acusada de espionagem. Virou lenda — e prova de que quem subestima aquele triângulo corre o risco de virar estatística.

Agora veja o contraste: o Triângulo das Bermudas inspira cientistas, o Triângulo de Vênus inspira poetas; o Triângulo do Dragão assusta marinheiros, o de Vênus assusta advogados de divórcio; o Triângulo de Nevada derruba aviões, o de Vênus derruba planilhas financeiras.

E quando dizem “ah, mas isso é um exagero”… basta abrir o noticiário. Sempre há um político que perdeu a cabeça, um empresário que trocou a firma pela fúria conjugal, um juiz que se esqueceu do juízo, tudo porque navegou em águas muito familiares. São acidentes chamados, nos boletins da vida real, de “escândalos amorosos”, mas deveriam vir classificados como fenômenos naturais recorrentes.

Se fôssemos justos, as autoridades internacionais estabeleceriam:
Zona de Risco Afetivo
Aviso de Turbulência Hormonal
Alerta Vermelho de Inconsciência Temporária
E, principalmente:
Proibição de navegação sem acompanhamento psicológico

 Porque, sejamos francos, não existe radar, satélite, sonar ou Google Maps capaz de prever o momento em que um ser humano vai ignorar todos os conselhos possíveis para atender ao chamado do velho e infalível Triângulo de Vênus.

E no fim, talvez essa seja a comparação mais honesta:
No Triângulo das Bermudas, sumiram navios;
No Triângulo do Dragão, barcos;
No Triângulo de Nevada, aviões;
Mas no Triângulo de Vênus…
Vão-se embora a lógica, e com ela tudo o que estava por perto.

E o mais irônico?
Ao contrário dos outros triângulos, neste aqui…todos os desaparecidos sabiam exatamente onde estavam entrando.

18/11/2025

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

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