Em 1997, às vésperas da devolução de Hong Kong à China, Baratex e José Cat são contratados pela arqueóloga russa Anya Rostova para encontrar o lendário Jardim dos Pêssegos Imortais, única esperança de salvar seu irmão, Ivan, vítima das manipulações temporais do vilão Dr. Kronos.
O trio procura o enigma do mapa com Mestre Chan, um velho sábio cego que guarda um koan apontando para um local silencioso em meio ao caos da cidade. Depois de enfrentarem agentes russos enviados por Kronos, eles concluem que o “silêncio que precede o fogo” está no Arquivo Nacional Britânico, prestes a ser esvaziado pela transição política.
No interior do arquivo, enfrentam um capanga de Kronos capaz de se mover em tempo acelerado. Com astúcia e caos burocrático — pilhas de documentos — José Cat derrota o inimigo. Anya então localiza o verdadeiro mapa: uma inscrição cifrada em um relicário de bronze, um poema visual que só pode ser decifrado por quem entende a natureza do caos.
A aventura avança com Baratex, José Cat e Anya finalmente em posse da chave para encontrar o mítico Jardim — antes que Kronos alcance a perfeição eterna que tanto deseja.
Hong Kong, 1997.
A cidade era uma sinfonia de néon e incerteza, um organismo de metal e vidro à beira de uma transição histórica. O ar, pesado e úmido, cheirava a liberdade que estava prestes a expirar.
A devolução do controle do Reino Unido para a soberania da China estava iminente. Essa transição não era apenas política, era o ponto final de um contrato de cem anos, a certeza fria de que a autonomia estava sendo trocada por um futuro nebuloso. A metrópole inteira parecia suspirar, lutando entre a euforia do futuro e a melancolia do passado que se extinguia.
Baratex, aos trinta e nove anos, assistia a toda essa cerimônia iminente através da janela de uma suíte de hotel luxuosa, no alto da ilha. Ele trajava um roupão de seda e mordiscava a ponta de um charuto apagado.
“Sabe, Zé, ao longo dos últimos anos, eu comecei a ficar mal-acostumado com clientes que nos contratam e pagam nossas viagens e hospedagens,” Baratex comentou com seu velho amigo, olhando para a baía agitada.
José Cat, o felino de pelagem prateada, estava lendo a Bíblia em uma poltrona de couro. “Está reclamando ou apenas comentando? Você deveria ser grato por tudo o que o Senhor tem proporcionado para nós dois.”
“É só um comentário, jovem Simba. E, na verdade, devemos agradecer a todos os que nos contrataram até aqui. Gratidão aos que confiam em nosso trabalho.”
Sons de batida na porta da suíte ecoaram como um pica-pau que bicava um caule. Uma mulher imediatamente abriu a porta logo após batê-la. A Dra. Anya Rostova era uma arqueóloga russa, linda, com cabelos escuros e olhos cinzentos que pareciam ter visto neve demais. Ela não tinha o tédio de Veneza nem a melancolia de Florença, mas a precisão fria de um algoritmo.
“Baratex,” ela começou, sem introdução. “Precisamos iniciar o seu serviço imediatamente.”
“Olá. Boa noite pra você também, senhorita”, o caubói acenou em ironia.
“Preciso de sua ajuda para encontrar o Jardim dos Pêssegos Imortais. Essa é sua missão”, Anya disse.
Baratex sorriu. “Moça, eu uso chapéu, mas não sou o Indiana Jones. É até uma honra ser confundido com um ícone, porém sou um mero caubói filosófico.”
“Um caubói que é especialista na aleatoriedade do caos”, ela rebateu. “Você tem o histórico de grandes feitos nas décadas passadas, onde deixou sua marca nas mais inusitadas situações. Sua ficha é extensa. Você é um poeta e, como todo bom poeta, tem o brilho do protagonismo correndo em suas veias.”
“Se todo poeta tivesse isso mesmo no sangue, não haveria a chacina de poetas que vi em Veneza certa vez”, Baratex deu de ombros.
“Eu disse bom poeta. Não ouviu?”, Anya retrucou.
“Assim eu fico rubro, moça. Obrigado”, Baratex sorriu de forma convencida.
“Isso não é por você, caubói. Sua boa reputação, infelizmente, é um fato. Porém, estou me sujeitando a recorrer ao seu excesso de personalidade pelo meu irmão, Ivan. Ele está morrendo por causa de um homem chamado Dr. Kronos.”
“Dr. Kronos? Isso é nome de vilão de quadrinhos da Era de Ouro”, Baratex zombou.
“Estamos na década de 90, Baratex. Ainda é sofisticado. A garotada metida a descolada compra esse tipo de conceito ainda”, José Cat argumentou.
“Faz sentido, Zé”, Baratex pôs a mão no queixo barbado, reflexivo.
“Escute, caubói”, disse Anya, “Kronos é um ex-cientista militar russo, que vive obcecado pela perfeição e pela ordem, desprezando o que ele chama de ‘falha humana’. O Jardim dos Pêssegos, segundo diz a lenda, oferece não só a vida eterna, mas também a perfeição plena.”
“Kronos, através de suas macabras habilidades de manipulação de alquimia temporal, deixou meu irmão em um estado deplorável. Ivan foi transformado em uma aberração, seu corpo envelhece e rejuvenesce ao mesmo tempo, uma desordem temporal que precisa ser reparada.”
“E, então, você acredita que morder um pêssego resolveria?”, questionou o caubói filosófico.
“O consumo desse fruto místico sagrado irá congelar o estado normal de meu irmão, estabilizando sua condição e, consequentemente, salvando sua preciosa vida”, completou Anya.
“Você quer que eu lute contra a certeza para salvar um homem da incerteza,” Baratex ponderou, intrigado. “É a melhor contradição que ouvi em anos. Você me convenceu.”
Baratex largou o charuto apagado no cinzeiro de cristal e pegou suas roupas de caubói dobradas sobre a cama, juntamente com o coldre contendo seu revólver, rechaçando assim a pose de preguiça abandonada.
“Feito,” ele declarou. “A melhor contradição. A única coisa que odeio mais do que a morte é a ordem. Esse Kronos me parece um burocrata do tempo, e eu nunca gostei de fila.”
Anya Rostova, a arqueóloga russa, manteve a precisão gelada. “Ótimo. O Jardim dos Pêssegos Imortais não é um endereço listado na embaixada britânica, caubói. As lendas apontam para um monastério isolado na província de Sichuan, China. Mas o caminho até ele é guardado por um enigma. Um mapa cifrado.”
“Enigmas”, Baratex sorriu com desdém. “Poetas usam enigmas para esconder a falta de ideia. Cientistas usam para parecer mais inteligentes do que são.”
José Cat fechou a Bíblia com um clique seco. “Qual é a chave para o mapa, varoa?”
“O enigma para o verdadeiro mapa está na posse de um velho mestre de Feng Shui chamado Mestre Chan. Ele vive em Kowloon. Chan é cego, paranóico e extremamente inteligente. A China comunista o vê como um parasita supersticioso; o Ocidente o vê como um guru. Ele só fala por meio de provérbios e, segundo meus informantes, ele é o guardião,” explicou Anya.
“Perfeito,” disse Baratex, ajustando o chapéu de caubói. “Um cego que só vê por meio do verso. É a nossa praia, Zé. Zé?”
José Cat estava ajoelhado diante da poltrona de couro. Em seguida, o felino antropomórfico se ergueu novamente. “Perdão. Eu estava orando para dar tudo certo em nossa jornada.”
Anya fitou Baratex, que devolveu o olhar. O caubói então deu de ombros.
“Vamos nessa, Frajola?” Baratex sorriu.
A diferença entre a Ilha de Hong Kong e Kowloon era a diferença entre o desejo e a realidade. Hong Kong era o néon do capitalismo, enquanto Kowloon era uma teia claustrofóbica de becos, mercados e edifícios em ruínas que pareciam desafiar a gravidade. Ali, o ar cheirava a especiarias, esgoto e desespero.
Eles encontraram Mestre Chan em uma pequena loja de antiguidades que vendia mais mistério do que objetos. O Mestre, um homem magro de barba branca, usava óculos escuros e uma expressão de tédio filosófico.
“Vocês são bons Chi,” Mestre Chan declarou, sem que Baratex e José Cat tivessem sequer aberto a boca. Sua voz era um sussurro rouco, como papel de arroz sendo amassado. “O felino irradia ordem, enquanto o caubói irradia caos.”
“Eu sou o Baratex, e ele é o José Cat,” disse Baratex, acendendo um cigarro. “E viemos atrás de algo que você esconde. O enigma do mapa para o Jardim dos Pêssegos Imortais.”
Chan sorriu, um movimento lento e irritante. “Os Pêssegos são a mentira mais bonita da civilização. Eles prometem o fim da mudança, a eternidade. Mas a verdadeira eternidade é a mudança.”
“Bonito, muito bonito. Estou comovido. Vou até anotar essa. Todavia, eu não estou aqui para uma tese de doutorado, prezado Mestre,” Baratex pressionou, soltando a fumaça. “Estou aqui para salvar um homem da desordem temporal que um babaca chamado Dr. Kronos causou.”
Ao ouvir o nome de Kronos, a expressão de Chan endureceu. “Kronos. Esse nome… Posso sentir sua aura. Trata-se de um indivíduo que busca a perfeição estática. Um futuro sem reticências. Ninguém pode encostar no mapa. Eu sou um devoto do fluxo, honorável amigo. Fui designado para guardá-lo, não para usá-lo.”
“Amado irmão,” José Cat interveio, suas orelhas eriçadas. “Vejo que é um homem de fé, muita fé. E como todo aquele que preza pela fé, certamente é um homem digno. O irmão de nossa amiga precisa de ajuda. A vida dele depende disso. O quão relevante é a vida de um justo para você?”
“Como sabe se o irmão dela é justo?” Baratex sussurrou para José Cat.
“Silêncio”, resmungou o felino.
Chan hesitou. Baratex notou isso.
Mestre Chan então suspirou. “O mapa é um koan. Só pode ser decifrado por alguém que compreenda a verdadeira natureza do Caos.” Ele apontou um dedo longo para Baratex. “O mapa diz: A eternidade se esconde onde o dragão dorme, sob o silêncio que precede o fogo.”
“Ora, um poema ruim,” Baratex zombou. “Isso é tudo?”
“O mapa é o enigma,” Chan respondeu. “O dragão é a China que desperta. O fogo é a transição. E o silêncio que o precede… é o silêncio no coração do ruído.”
José Cat, o felino, piscou. Sua mente metódica tentava ordenar o caos. “O dragão é Hong Kong. O fogo é justamente a transição política do ano atual. O silêncio no coração do ruído deve ser um lugar isolado em meio à cidade. Um lugar que se prepara para a mudança sem fazer barulho.”
Baratex sorriu. “Um escritório abandonado. Um templo esquecido. Um bordel de luxo. Ou, quem sabe, uma biblioteca” Ele se virou para o Mestre. “Obrigado pelo verso, Mestre. Seu Chi já está muito melhor.”
Chan apenas balançou a cabeça com tristeza. “Eu sinto pena de vocês. É provável que irão deixar esse Kronos chegar primeiro.”
“Se isso acontecer, Mestre, eu troco de apelido. De Baratex, mudo pra Joaninhex ou, sei lá, Gafanhotex.”
E, como se a profecia se materializasse, o sino de bronze sobre a porta da loja tocou. Entraram dois homens. Não eram chineses. Eram brutos, vestidos com uniformes militares russos sob jaquetas civis. Seus olhos tinham a frieza de quem serve a uma ideologia, não a um homem.
“Professor Chan,” disse o líder, com um sotaque russo duro. “O Dr. Kronos pede o que é dele. Não confunda a ordem com a paciência.”
“Pode começar a pensar em mudar o apelido”, José Cat disse ao amigo caubói.
“Nem fodendo, Frajola!”
O duelo estava montado. Não era um duelo de faroeste, era um duelo ideológico. A ordem russa contra o caos de um caubói filosófico. Baratex deu um passo à frente, protegendo Mestre Chan. “Vocês parecem a banda de abertura do inferno. Voltem pra casa, cambada.”
O russo riu, mas foi um som sem humor. “Você é o poeta americano? O Dr. Kronos te descreveu. A falha humana com um chapéu ridículo.”
“A falha humana do seu patrão está afiada. Nem para o infeliz pesquisar direito minha nacionalidade. Sou brasileiro, imbecil”, Baratex respondeu.
“Nesse caso, vejo que é um sujeito ainda mais irrelevante do que imaginávamos então”, o segundo sujeito zombou.
O russo avançou. José Cat não esperou. Com um rugido que ecoou no pequeno espaço, o felino saltou. As garras prateadas rasgaram o ar, cortando a carne com a precisão de um cirurgião. O primeiro russo mal teve tempo de gritar. Ele caiu sobre uma pilha de incensos, o sangue se misturando ao cheiro doce da fumaça.
O outro sacou uma arma, mas Baratex era mais rápido. Ele chutou uma mesa baixa, derrubando vasos de cerâmica. O som da confusão foi o seu escudo. Ele se jogou atrás de uma estante de pergaminhos.
O russo atirou. O tiro rasgou o ar onde Baratex estava há um segundo, destruindo uma pintura antiga.
José Cat, em um movimento felino e brutal, quebrou a perna do atirador com um golpe lateral. O homem caiu de joelhos, gemendo. José Cat olhou para Baratex, que saía da proteção, ofegante.
“Precisamos ir, Barata”, José Cat sibilou.
Baratex olhou para Mestre Chan, que estava sentado, imperturbável, as mãos juntas. “Obrigado, Mestre. Vou transformar esse seu enigma em uma puta poesia.”
“Apesar do caos em seu interior, caubói…” Chan respondeu, sem olhar. “É um homem banhado com honra.”
Baratex, ao ouvir as palavras do Mestre, sorriu. Ele jogou o cigarro no chão e pisou.
“Vamos nessa, Zé!” Baratex bradou.
“Tenho uma suposição de onde está o Jardim. Penso no único lugar em Hong Kong que mantém o silêncio enquanto o mundo desmorona. O Arquivo Nacional Britânico, antes que a China o lacre. É o último vestígio da Pax Britannica na cidade. Eles estão em silêncio antes da entrega”, deduziu José Cat.
“Ah, gatinho danado… Simbora!”
A dupla retornou à Hong Kong, onde o Arquivo Nacional, no coração da Ilha, era um bastião da ordem britânica, um palácio de mármore e documentos. O silêncio era profundo, quase sepulcral, em contraste com o intenso barulho local. O prédio estava sendo esvaziado, a papelada histórica, digitalizada ou queimada, em antecipação à Devolução. Ao reencontrarem Anya Rostova, a atualizaram de todas as informações obtidas até ali.
A arqueóloga russa ouviu o relato de Baratex e José Cat com a sua típica precisão fria de um algoritmo, como se cada palavra fosse um dado a ser processado, não uma aventura de vida ou morte. Eles estavam espremidos em um carro alugado por Anya, estacionado a duas quadras do Arquivo Nacional Britânico.
“José Cat estava correto,” Anya confirmou, consultando um PDA da época, um luxo caro. “O Arquivo Nacional. O ‘silêncio que precede o fogo’. É o ponto definitivo, a última respiração da Ordem no caos.”
Baratex acendeu um cigarro, seu chapéu surrado e o cheiro de incenso que ainda emanava da loja de antiguidades.
“Madame, não gosto de me sentir como um rato de biblioteca,” ele resmungou, soltando a fumaça. “Diga-me a rota. Quero tirar meu chapéu desse lugar antes que os burocratas cheguem para queimar a história.”
“Eu rastreei o Dr. Kronos,” Anya sussurrou, a voz tensa. “Ele não está aqui. Ele está na Torre do Banco da China, no topo. Observando. Ele gosta de assistir ao caos de cima, como um deus entediado vendo as formigas se debaterem.”
“Um vilão com senso de mise-en-scène,” Baratex murmurou. “Ele vai morrer com estilo, mas com a vista garantida. Aonde está o mapa real? O enigma de Chan apenas nos deu o endereço.”
“O mapa não é de papel, caubói. É uma inscrição cifrada em um artefato chinês que os britânicos catalogaram como ‘Propriedade Sem Valor’ para evitar que os chineses o levassem,” explicou Anya. “A chave: um relicário de bronze, na seção de Arqueologia. Deve estar sendo digitalizado para ‘preservação’ antes da entrega.”
Minutos depois, eles se esgueiraram pela entrada de serviço, subornando um guarda com um maço de libras esterlinas manchadas. O interior do Arquivo Nacional cheirava a papel velho, mofo e o fim de um império. Os corredores eram vastos e silenciosos, iluminados apenas por lâmpadas de emergência que piscavam com melancolia.
Baratex, mesmo com o andar de caubói, movia-se com a leveza de quem sabe onde o chão vai ranger. O chapéu de aba larga era quase um escudo contra a luz fraca.
“Esse lugar fede a tese de doutorado não terminada,” Baratex tossiu, abafando o som. “Odeio o cheiro da certeza.”
José Cat, o felino, parecia um fantasma prateado nas sombras. Seus passos eram inaudíveis. Ele levava a pequena Bíblia no bolso da calça jeans e a fé em suas próprias habilidades físicas.
“Precisamos ser rápidos, Barata,” sibilou o felino, os olhos brilhando.
Eles avançaram pelos salões de leitura vazios, onde pilhas de documentos históricos esperavam o destino final: serem queimados em Londres ou herdados pela burocracia de Pequim. Em uma mesa, um funcionário britânico cochilava sobre um livro de registros, indiferente ao destino do seu século. Era o verdadeiro silêncio que precede o fogo.
No meio do caminho, em um grande salão de catalogação, a luz piscou, mas não por falha elétrica. Era uma falha temporal.
Um grupo de seguranças britânicos, uniformizados e sonolentos, parou de repente. Congelados. Baratex notou que a poeira que caía de um duto de ventilação parou no ar. O tempo havia parado, mas apenas para eles, criando um nicho de perfeição estática no fluxo.
“Lá vem merda,” Baratex murmurou, largando o cigarro no chão e pisando.
De uma escadaria de mármore lateral, saiu um capanga de Kronos. “O Dr. Kronos manda lembranças!”, o indivíduo berrou. Ele estava imerso no tempo acelerado, movendo-se com a velocidade de um borrão, um fuzil de assalto em suas mãos.
“Ah, pronto. Legal. O The Flash”, resmungou o caubói.
José Cat tomou a iniciativa, mas mal teve tempo de reagir. O felino, com sua força física, era rápido, mas não tão rápido quanto um homem imerso no fluxo acelerado de Kronos. O capanga atirou primeiro. O som do fuzil de assalto, abafado pela distância, ressoou no silêncio do arquivo. José Cat saltou, o rugido preso na garganta. Ele usou uma pilha de caixas de arquivamento, cheias de registros de imigração do pós-guerra, como escudo improvisado. As balas, movendo-se em uma velocidade que quase as tornava invisíveis, rasgaram o papel e a madeira.
O felino percebeu que a força bruta era inútil. Ele não podia vencer a equação de Kronos. José Cat derrubou uma estante inteira de arquivos antigos. Milhares de páginas de papel amarelado voaram no ar. O capanga, movendo-se em sua bolha de tempo acelerado, foi momentaneamente soterrado pela avalanche de burocracia e história.
Essa interrupção na ordem do movimento foi o suficiente. José Cat saltou sobre a pilha e, com a precisão de um predador, quebrou o joelho do capanga com um chute preciso. O homem gritou com um som que foi distorcido pelo tempo, e caiu, inconsciente. O choque do impacto quebrou o fluxo, devolvendo o capanga à velocidade normal e desativando a bolha temporal.
“Madame, meu amigo é fora da curva, não é?” Baratex sorriu para Anya.
“Ele é melhor que você, de fato”, Anya o provocou.
O tempo voltou a fluir. A poeira continuou a cair, os seguranças piscaram. O salão estava em silêncio novamente, exceto pela respiração pesada de José Cat.
“Ele fez mais do que você até agora”, Anya cutucou o caubói novamente.
“Mandou bem, Zé,” Baratex comentou com seu amigo felino, ignorando as provocações de Anya. “Nunca pensei que, para derrotar um cara veloz, bastaria excesso de papel.”
“A glória não é minha, meu amigo. A glória é do Senhor”, José Cat sorriu.
Anya os levou rapidamente à seção de Arqueologia. Lá estava: um grande relicário de bronze, coberto de musgo seco, guardado em uma vitrine de vidro.
“Aqui está,” Anya sussurrou, quebrando o vidro com um martelo de emergência. “O artefato que contém a cifra para a localização exata do Jardim dos Pêssegos Imortais.”
Baratex se aproximou do relicário. A inscrição era uma série de símbolos arcaicos chineses, dispostos em uma ordem que desafiava a lógica.
“Não é uma língua. É um poema visual que celebra o erro e o fluxo. Está escrito em um dialeto que celebra o caos do Rio Amarelo, não a ordem das montanhas”, deduziu a arqueóloga.
“Como é?” José Cat franziu o cenho, confuso.
“Deixe a moça brilhar agora. É a praia dela”, riu o caubói filosófico.
Anya tirou do bolso um canivete suíço, a lâmina fina e bem cuidada. Ela começou a riscar o relicário. Não para destruí-lo, mas para libertar o verso que estava preso na geometria da ordem.
“O Kronos pensa que a ordem é a resposta,” Anya murmurava, como uma xamã do passado. “Mas a Arte é o único lugar onde o erro é mais bonito que a perfeição. O universo foi feito de acidente. Uma estrela explodiu. A gravidade se desequilibrou.”
“Na verdade, foi o Senhor que o formou”, José Cat rebateu.
“Agora não, Zé! Depois, ok?”, Baratex encerrou aquele tipo de debate ali, naquele momento.
Anya rearranjou os símbolos, seguindo a lógica da rima e do fluxo, ignorando a gramática e a cronologia da inscrição.
“Para quebrar a ordem dele, você tem que abraçar o caos.” Ela riscou um ideograma, transformando a palavra “Cerimônia” em “Grito”.
A cada risco, uma linha do enigma se revelava no dialeto antigo:
“A montanha que sorri para o sol”
“O portão que nunca se fecha”
“O rio que bebe o próprio espelho”
“A montanha é o Monte Emei, em Sichuan. O portão é o Templo dos Mil Budas, que nunca fecha para o fluxo dos peregrinos. E o rio que bebe o próprio espelho…” a arqueóloga russa sorriu, triunfante. “É o rio na base da montanha, no ponto exato onde a água é mais clara e mais parada. É um lugar onde a quietude é tão perfeita que reflete o céu e, por um instante, confunde a si mesma com a verdade.”
A localização do Jardim dos Pêssegos Imortais estava decifrada: Sichuan, no sopé do Monte Emei, no Templo dos Mil Budas.
“Genial, madame,” Baratex deu um tapinha no ombro de Anya.
“Devemos ir até lá imediatamente”, ela disse.
Nisso, o ar se tornou pesado, metálico. Um som de sinos distantes, como o dong de um relógio de pêndulo gigante. A luz do salão começou a piscar em um ritmo irregular, não apenas o tempo, mas o espaço estava sendo dobrado.
No meio do salão, onde antes havia apenas papelaria britânica, uma porta dimensional se abriu. Não era uma porta, mas um buraco na realidade, cercado por uma distorção de néon e vidro. Dele saiu um homem. Dr. Kronos.
Ele vestia um terno cinza-claro impecável e carregava um pequeno relógio de bolso que pulsava com luz verde fraca. Seu rosto era calmo, de quem nunca precisou levantar a voz.
“Baratex. O epítome da entropia. O resíduo que mancha a equação,” Dr. Kronos falou, a voz clara e suave. “Vejo que a doce Anya decifrou a lendária cifra. O que a influência do famigerado caubói filosófico não faz, hein?”
“Muito prazer, Kronos. Fico feliz dos bundões como você quase sempre ouvirem falar de mim. Deve doer, né? Afinal, você e nada para mim são o mesmo conceito,” Baratex rebateu, dando um passo à frente. “Vou te salvar do tédio de ser um suposto imortal, te dando uma morte criativa.”
“Me admira um futuro cadáver ser tão confiante, caro Baratex”, Kronos riu, em tom de deboche. “Pobre Anya… Não entende que seu irmão, Ivan, era uma falha que deveria ser isolada?” Kronos então fitou a arqueóloga russa, apontando seu relógio.
“Maldito!” Anya gritou, furiosa.
A luz verde do relógio piscou. Uma onda de energia temporal atingiu Anya. Ela não caiu, mas cambaleou. Sua pele começou a ter rugas e a rejuvenescer em um ciclo vicioso e rápido. Ela estava sendo afetada pela mesma desordem temporal de seu irmão.
“José Cat! Baratex! Fujam!” Anya gritou, o rosto mudando de jovem para velho a cada piscar.
“Obrigado por nos empurrar pro abismo, moça!” Baratex gritou, agarrando o relicário. “Vamos, Zé!”
“Ei! Não podemos deixá-la!” José Cat segurou o braço do amigo.
“José, use o raciocínio. Olha o poder desse cara. Se não pararmos esse candango, milhões terminarão como Anya e seu irmão”, Baratex argumentou.
O felino, mesmo relutante, concordou rapidamente. Eles correram, deixando a Dra. Anya Rostova e o Dr. Kronos, que apenas sorria com satisfação sádica.
“Belos amigos você tem”, riu o vilão.
“Eles são… meus amigos. Eles… vão rir por último”, Anya sorriu, mesmo se contorcendo em sua condição precária.
A fuga de Hong Kong foi caótica e urgente. Baratex e José Cat usaram o caos da iminente transição de 1997 a seu favor. Eles se esconderam em navios de carga, subornaram funcionários do porto e voaram em um pequeno avião de frete para Chengdu, a capital de Sichuan, com o relicário escondido em um saco de café.
O contraste era chocante. Hong Kong era néon e desespero; Sichuan era montanhas verdes, bambu e silêncio. A neblina era espessa, um véu úmido que escondia o mundo.
“Aqui, Zé,” Baratex tossiu, sentindo a mudança de altitude. “Aqui a fé de um monge é mais forte que o cinismo de um caubói. Gosto disso.”
“É o único lugar onde a tua poesia deve fazer sentido,” José Cat respondeu, olhando para as montanhas.
O Monte Emei erguia-se na névoa, uma montanha sagrada. A trilha era íngreme, enlameada e cheia de macacos agressivos. A subida foi uma punição física que Baratex aceitou com estoicismo e queixas filosóficas. A trilha era feita de degraus de pedra antigos, escorregadios pela neblina constante.
“A natureza, Zé, é a única coisa que não se importa com a nossa pressa,” Baratex ofegava, limpando o suor com a manga. “A gente corre pela vida, mas a montanha espera. O tempo do homem é um erro; o tempo da pedra é a verdade.”
José Cat, subindo com a graça de um felino, segurava o facão e a Bíblia. “A pressa é do demônio, Barata. Mas a vida do inocente espera. A natureza é o tempo de Deus. E Deus nos deu pressa para salvar Ivan.”
“Sua fé é irritante, Frajola. Ela sempre te dá a resposta certa,” Baratex resmungou.
Eles caminharam por horas, passando por templos menores onde o cheiro de incenso era mais espesso do que a neblina. Finalmente, chegaram ao Templo dos Mil Budas.
O templo era antigo, sereno, feito de madeira escura e telhados curvados. O ar cheirava a pinho e a mil anos de oração. Dentro do templo, estava o Portão que Nunca se Fecha, um arco de pedra que dava para um terraço.
Além do terraço, e alimentado por uma nascente da montanha, estava o Rio que Bebe o Próprio Espelho: uma piscina natural de água tão parada e cristalina que refletia o céu em perfeita quietude.
No centro da piscina, em uma pequena ilha, estava o Jardim. Não era um pomar grande, mas uma única árvore retorcida e antiga, seus galhos curvados. Em seus galhos, três pêssegos brilhavam com uma luz dourada pálida, quase etérea.
Eles não estavam sozinhos.
Dr. Kronos já estava lá. Ele havia usado seu portal dimensional para chegar primeiro. Estava em seu terno cinza, olhando para o Jardim com a devoção de um cientista ao seu experimento.
“Baratex. Eu fiz questão de te aguardar aqui, só pra mostrar o quanto você é apenas uma peça em meu jogo”, Kronos declarou, sem se virar.
“Seja homem e venha resolver isso no mano a mano,” Baratex disse.
“Já estou resolvendo, caubói,” Kronos rebateu. “O Jardim dos Pêssegos Imortais oferece a imobilização no instante da perfeição plena. E eu, Baratex, sou o único digno de consumi-los. E, depois, consumirei você.”
O confronto começou. Kronos apontou o relógio de bolso para José Cat. O felino, que havia começado a correr para a piscina, congelou no ar, o corpo tenso, as garras estendidas. Ele estava preso em um instante.
“Eu lhe concedi a perfeição estática, felino,” Kronos sussurrou. “Você é um cristão, mas sua fé não te salvou do meu poder.”
Baratex estava sozinho.
“Você pode congelar o corpo, Kronos,” Baratex disse, a voz rouca. “Mas não pode congelar o verso. Não pode congelar a ideia.”
Baratex pensou bem, com seu instinto afiado. Ele era um homem que compreendia o abstrato, o conceito e o símbolo. Baratex era a personificação da analogia, sendo o legítimo caubói filosófico. Ele não correu para o Jardim, pelo contrário. Baratex correu para o Rio que Bebe o Próprio Espelho.
O caubói filosófico então se jogou na água. O choque gelado foi uma tortura que o fez gritar, um grito abafado pela quietude perfeita da piscina.
Kronos riu. “Se refrescando um pouco antes de morrer?”
Baratex usou a única arma que tinha naquela situação: a linguagem do Mestre Chan. O Rio, com sua quietude e reflexo perfeito, era o espelho da ordem.
“O rio que bebe o próprio espelho! A quietude é o verso, mas o verso é feito para ser gritado!” Baratex urrou, a água na altura do pescoço.
Ele sacou seu revólver. Começou a atirar aleatoriamente. Não em Kronos, mas na superfície da água.
BDOW! BDOW! BDOW! O som dos tiros na água cristalina foi grotesco, uma profanação.
Cada tiro quebrou o reflexo perfeito na piscina. A superfície tremeu. A perfeição e a ordem do espelho foram substituídas pelo caos das ondas. Era a desordem forçada.
A quebra da perfeição causou um choque temporal. O relógio de Kronos estalou. O tempo que prendia José Cat quebrou. O felino caiu na água e, em seguida, se ergueu novamente.
Kronos se virou, irritado por sua falsa ordem ter sido rompida pelo caos de um poeta. Ele apontou o relógio para Baratex, pronto para acelerar o tempo até a sua morte.
“Isso é impossível! Mas que desgraçado atrevido! Você destruiu minha equação!”
Mas o tiro de Baratex tinha tido um efeito secundário. A onda de choque da água atingiu a árvore dos pêssegos.
Um dos três pêssegos se desprendeu do galho e caiu na água, flutuando em direção a José Cat.
José Cat, com a velocidade de um felino desesperado, agarrou o pêssego e o arremessou de volta, em direção ao Portão que Nunca se Fecha, o arco de pedra por onde entraram. Ali, o portal de Kronos ainda pulsava em instabilidade. O pêssego, o fruto da estabilidade, precisava ser usado contra a instabilidade gerada pelo vilão.
Baratex, vendo o pêssego passar por cima de sua cabeça, correu. Ele conseguiu interceptar o pêssego na porta, mas não o comeu. Ele o esmagou na sua mão, o suco dourado escorrendo por seus dedos.
O suco foi atirado contra o Portão que Nunca se Fecha, atingindo o portal dimensional de Kronos.
O portal colapsou.
Kronos gritou, não de dor, mas de desespero. Sua ferramenta de ordem estava sendo destruída pelo caos da fruta.
“Não!” Kronos urrou.
“Subestimar Baratex e José Cat é um erro, Kronos,” Baratex respondeu, ofegante, o cheiro doce do pêssego misturado ao da pólvora. “Agora compreende que minha poesia é a aleatoriedade encarnada?”
“I-Impossível…”, o vilão caiu, ajoelhado.
O Doutor Kronos, sem o seu portal, começou a ser afetado pelo refluxo temporal. Seu terno começou a rasgar, seu corpo a tremer. Ele começou a envelhecer e rejuvenescer rapidamente, caindo na piscina e sendo arrastado pela corrente, gritando. O tempo o estava consumindo.
“Depois me conta como é o inferno!” Baratex zombou de Kronos, que desapareceu.
José Cat se aproximou do amigo. “Deixe pra lá, Barata. Ele teve sua colheita”, disse o felino.
“Ah, Zé, sério que vai vir com discurso de compaixão?” A dupla então colheu os dois pêssegos restantes e fugiu, descendo a montanha. O templo voltou ao seu silêncio milenar. O caos havia sido absorvido pela ordem da natureza.
Baratex e José Cat voltaram para Hong Kong, para a suíte luxuosa de antes. Anya estava lá. Ela havia se isolado naquele quarto, ainda em seu estado de instabilidade, causado por Kronos. O rosto da arqueóloga alternava entre uma moça de vinte anos e uma senhora de oitenta, piscando a cada instante, um ciclo vicioso e doloroso.
José Cat, ofegante, fechou a porta. Ele olhou para Anya com uma pena melancólica, o felino pragmático sentindo o peso da falha temporal.
Baratex se aproximou dela. O caubói tinha os dedos pegajosos do suco dourado do pêssego esmagado, o cheiro doce misturado ao cheiro metálico de pólvora e a umidade das montanhas de Sichuan.
Ele ergueu a mão, mostrando os dois pêssegos restantes. Eles pulsavam com uma luz dourada pálida contra a escuridão do quarto.
“Conseguimos, Anya,” Baratex disse, a voz menos irônica do que o normal. “Dois. Um para você, um para o seu irmão.”
Anya, em um raro momento de estabilidade, conseguiu fixar seus olhos cinzentos em Baratex. O terror estava estampado em sua face de vinte anos, mas a esperança cintilava.
“Eu… eu não aguento mais essa desordem,” ela sussurrou, a voz se quebrando entre o timbre de jovem e o de idosa.
“Eu sei,” Baratex respondeu. Ele estendeu um dos pêssegos. “Isso é a certeza. A estabilidade. A perfeição que o seu irmão precisa. Use-a.”
Anya não hesitou. Ela pegou o fruto místico com as duas mãos, quase em adoração. Ela deu uma mordida funda.
O efeito não foi imediato, mas foi profundo. O ciclo vicioso parou. A pele de Anya parou de piscar, fixando-se em sua forma jovem, forte e determinada. As rugas sumiram, e a expressão de dor foi substituída por um suspiro profundo e libertador. A ordem do fruto havia sido imposta ao caos temporal.
Lágrimas brotaram em seus olhos, mas não eram lágrimas de desordem. Eram lágrimas de alívio puro.
“Eu sou eu de novo,” ela disse, tocando o próprio rosto. Em seguida, ela se levantou e abraçou Baratex com uma força desesperada. O caubói, um pouco constrangido, deu leves tapinhas nas costas dela.
“Você… você salvou a minha vida, caubói filosófico,” ela disse, a voz embargada. “E salvou a de meu irmão.”
“Não há de quê, madame”, Baratex murmurou. “E, cá entre nós, foi o pêssego.”
José Cat se aproximou, olhando para o fruto restante. “Esse pêssego é uma benção. Louvado seja o nome do Senhor.”
“E agora, Anya?” Baratex perguntou, já voltando à pose de preguiça.
A arqueóloga enxugou as lágrimas. Ela pegou o último pêssego, acondicionando-o em um estojo metálico refrigerado.
“Bem, agora vou encontrar meu irmão Ivan. O mal que Kronos causou será desfeito. Eu voltarei a Moscou, caubói. E restaurarei a honra da minha família.”
Ela estendeu a mão para Baratex, um aperto firme e direto, sem a ironia do primeiro encontro.
“Quanto devo a você?”
Baratex sorriu, voltando a si. Ele acendeu um cigarro, soltando a fumaça lentamente.
“Dinheiro é a única certeza que um poeta não pode comprar. Meu serviço foi pago pelo tédio, Anya. Não há preço para quebrar a ordem de um burocrata do tempo. Digamos que estamos quites.”
“Não, eu insisto. Você precisa ser recompensado de alguma forma.”
“Bem, nesse caso, jante comigo qualquer dia desses.”
“Ah, pelo amor de Deus! É sério?” José Cat resmungou, encarando o amigo.
“Qual o problema, Zé? É só um jantar. E a moça insistiu, não?”
“Está certo”, Anya riu. “Aceito.”
A arqueóloga russa beijou o rosto barbado de Baratex. Em seguida, se dirigiu até José Cat.
“Que o Senhor guie seu caminho, felino abençoado.”
“Amém, varoa. Que Ele a guie também”, José Cat a abraçou.
Anya Rostova saiu da suíte, determinada, carregando a esperança de seu irmão. Assim que ela fechou a porta, Baratex se jogou na poltrona. Pegou o charuto apagado e o colocou na boca.
“É isso, Zé. Mais uma aventura. O que faremos agora?”
“Amanhã, Hong Kong volta à China. A transição. O fogo. A cidade vai mudar, Barata. E a mudança é a única eternidade que importa.”
Baratex concordou, olhando pela janela. O néon ainda brilhava sobre a baía, mas agora havia uma nota de melancolia.
“Sempre gostei de finais que parecem começos, Zé. É a parte mais honesta do poema.”
Ele pegou a mala de couro gasta e a colocou na cama. “Próxima parada, Frajola?”
José Cat sorriu. “Não faço ideia. Vamos onde o Senhor determinar.”
Baratex revirou os olhos. “O velho discurso… Ok. Perfeito. Hora de ir.”
Eles deixaram a suíte de luxo, o caubói e o felino, prontos para a próxima reticência.
Vinícius Pereira , Nova Iguaçú, RJ, já teve vários perfis em sites de fanfics. Após um longo hiato, por intermédio do destino (ou o que quer que prefira definir), ele retorna à escrita com a série de contos das aventuras do Baratex, figura que homenageia o grande Barata Cichetto.


Baratex – Lendas de Um Velho Caubói Filosófico (Temporada 1)
Autor: Vinícius Pereira
Editora: Selo Lâmina 44
Gênero: Contos
Ano: 2026
Páginas: 232
Tamanho: 15 X 21 X 1,25 cm.
Impressão: Papel Offset 90g
Impressão: PB
Capa Cartonada, Laminado Fosco
Arte de Capa: Eduardo Schloesser (Colorido por Louis Mello)
Posfácio: Adriana Avelino (Drigo)











Mais um excelente conto. O bem triunfou, como convém a todas as boas histórias. Não mais o que agregar.
Corrigindo, “não HÁ mais o que agregar”.
Um passarinho me contou que um conto sendo escrito que fala muito mais de perto do José Cat. Aguarde as cenas dos próximos capítulos.