Escrevo um verso longo, num monólogo cheio de hiatos enfadonhos,
Um poema flácido, fálico, falido, sem que as notas soem,
Sem que o verbo se faça ato cênico, sem jato, sem o merecimento das mãos.
Só o que ronda, é essa estranha-mentirosa sensação de ser ouvida,
até o inenarrável ponto final.
Não abandonada a poesia, cabe ao papel, ditar silêncios.
Vistam-se as máscaras e as roupas
decorem as falas
Aplaudam ao final do espetáculo.
A sinalização da saída de emergência, deve sempre estar visivel, a pelo 1,80 cm do chão.
A meia verdade ou a meia mentira, duas pernas que se entrelaçam,
Confundidas as peles e os pelos, como se estivessem trepando,
E, ao fundo, o som de um piano, dos gemidos e do desague das águas.
Que o gozo jorre em todos os lábios santos.
Escrito, se está, o verso.
24.02.22