Amanhece domingo com suas promessas santas, silêncios malditos e um quê de rito ecumênico.
Há de se seguir os sacros preceitos e os ditos nos horóscopos dos dias,
Sob o risco das descobertas nos céus da tua boca
Premeditadas carnes, que se deitam em outros lençóis.
Sobre as catedrais, pairam virtudes cênicas e preces pagãs
Travestidos anjos barrocos, de asas quebradas, caídos dos seus infernos cabais.
Sem que tenham os pecados confessos
E seco o gozo das boas heresias carnais.
Na sanha dos impuros homens de leite,
O coito interrompido em nome das crenças céticas.
E as penitências pagas em fervores e favores de salvamento
E todas as mentiras das genitálias, jogadas nas camas de exótica seda rara.
Os signos e os rios e os seus afluentes sujos,
Procuram desesperadamente o gosto do sal do seu suor, e os mares de seu bálsamo branco
Para desaguar desejos, desesperos de uma pele fria
Ao menos, em algum canto, há de se haver esperas,
Antes que a noite encontre sua melancolia.
Teus olhos de mata, não sabem carregar amor.
02.01.22