O lírio da janela não é mais vermelho
Algo perdido nessa poeira do dia
Nenhuma cor suporta o vazio da chuva,
E, olhos de vidro.
As mentiras vivem lá,
Opacas seguras senhoras de si.
Talvez por isso não consiga encarar meus olhos,
Eles sangram, realçados.
É só mais um estremecimento, nessa solidão.
A fissura na parede, sabe da lágrima.
E a voz solta, sem arranhar um milímetro de sua covardia,
Me contam mais uma anedota de amor.
As mentiras cantam melodias de sol.
Mas desafinam, no refrão.
Parece que até o ar ficou preso no elevador,
Resolveu faltar ao encontro.
Meu corpo suspenso nesse lugar.
Tranco a porta, mudo as chaves,
procuro novas flores no armário,
Rego o vaso, planto outra muda.
Rasgo suas mentiras.
Desligo o celular.
Abafo o som da rua,
Escolho outra música,
Danço nua.
Junho 19