O medo alimenta o medo
O monstro cresce no espelho
O medo é o monstro do espelho
O espelho é olho do medo
Meus olhos se veem no espelho
Reconhecem o monstro.
Todos eles levam o nome meu
Eu os batizei desde pequena
Eles conhecem o meu escuro
Sabem das sombras
Chafurdam as entranhas.
O osso e a carne exposta,
Ao aberto,
O sangue escorrendo lentamente
A bebida vermelha entre os dentes da fera
Salivando ácido sobre a minha pele
Sinto o bafo quente na nuca
A espreita do sono
Para me encontrar no pesadelo.
São os gritos estridentes que acordam
A parede e o travesseiro.
O espelho no olho
O monstro no espelho
O olho no monstro
O monstro em mim
02.09.19