Quisera poder esquecer janeiro
Com seus abstratos casos extraconjugais
Banalidades carnais, em gozo escorregadiço.
Qualquer coisa de se vender a alma
Em troca de um pouco do escuro.
Todos carregam dores de partida
A nascença parida entre sangue,
Do que se tem por obrigação.
Era só desamor, em canções de ninar,
Não curam ossos esfacelados na guerra,
Nem acabam com os pesadelos.
Carrego um corpo maltratado pelos homens
Foram tantos os castigos
Os olhos marcados do açoite,
Prazeres de maldade escarrada
Que não me deixam dormir
Fogem ao macio do travesseiro,
Me tomam além da normalidade das horas.
Quisera poder diluir janeiro
e todos os meses residuais
e todas as cicatrizes
e todos os medos disfarçados de coragem,
junto, às chuvas de verão.
12.02.20