São as estradas caminhentas que levam o andarilho
Quase como lhe seduzindo os pés
Nas carícias dos macios das nuvens de algodão.
Depois da próxima curva não restará mais nenhum vestígio desse chão.
Muda-se a paisagem repentinamente
O que era terra habitável
Só mostra a crueza árida do asfalto
Tudo é cinza.
As janelas dão para o nada.
Queimam – se as carnes em silêncio.
São os tempos dos falsos milagres,
Alardeados pelos profetas de araque
Convertidos em santos, em batismos
Nas águas poluídas com dejetos de toda essa gente,
No vermelho do sangue dos inocentes.
Não há retorno possível,
Só o desvendar da miragem
O enfrentamento da grande reta,
O seguir adiante
As penitências dos atos falhos
Nenhum perdão imediato
Passível ao olho.
Tudo é consequência.
Maio 20