Sou uma completa anônima
Valsando passos insuspeitos
Sobre seus pés.
É que só sei andar descalça,
Noite, sozinha, nua.
Arder em terra molhada
Pisar num solo de pele frágil.
Me distrair numa luz qualquer
Sem olhos nos meus.
A música daqui canta desejo,
Em ventos insinuantes que violam as frestas
Quero somente dançar
Passear em tuas paisagens
Aderir aos contornos do corpo
Florescer na dureza do talo.
Desaguar tudo em tuas paragens,
Fluídica, única, úmida
Como um rio caudaloso, lambendo obsceno suas margens
Seguindo em direção ao mar
Para depois, diluir-me no salgado da tua língua.
Nos sonhos arrebatados
dessa valsa inacabada, vadia.
Danço corpo, danço eu.
07.01.20