Vou me fazendo medo e muralha
Suportando os ventos todos,
E os tolos abocanhamentos de minhas bobagens
Que nos teus ouvidos tortos, morreram antes das cheganças.
As noites de inverno trazem escuro por mais tempo que ontem.
No acovardamento exuberante de dizer amor.
Sem a cor, das palavras quentes.
Os olhos viviam das esperas,
dos sons inauditos, mal ditos.
Do que existe sem existir.
Já perdi tantas palavras no final da garganta
Que não reconheço sequer a minha voz de assalto,
De contralto, de exíguo lamento.
No murmúrio dos silêncios, tudo é lugar morto.
O amor é sempre obsceno,
Nas salas de visitas.
Os muros, são saídas razoáveis.
19.Ago.20