Te inventei na segunda-feira
Era um dia de começo.
Uma dieta, uma promessa, um querer.
Talvez assim, o amor fizesse sorte.
Quem sabe desse jeito desenhado
Você fique até segunda,
Não me deixe na monotonia de domingo
olhando a sombra que agora dança nua, na parede do quarto.
Venta, faz um pouco de frio.
O farol abriu.
Não demore, com a coberta.
Eu te inventei em massa de modelar
Pintei os olhos a boca o cabelo
Caprichei nas roupas.
A voz rouca, um pouco baixa.
Até escrevi o script,
A próxima página ainda está em branco
Porque, apesar de eu ter te inventado
A porta vai ficar aberta, sempre.
As marionetes cansam.
Os ventríloquos também.
Perdem a voz e o tempo da fala,
Gaguejam bobagens.
A cena acaba, muda.
Ninguém pode ser refém.
É segunda no calendário,
Dia de encontro das bocas
De acerto, de reconheço.
Fique,
O café ainda está quente.
Fiz um bolo, um riscado,
Um verso novo.
Plantei reticências.
11\Dez\2018