Tudo tão estranho
Já não sei mais falar de amor
As flores desbotam antes da colheita,
Sem cheiro algum.
A chuva é ácida, corrói queima a pele.
Só na tv, a manchete é a mesma.
Meus amores estão mortos.
Os olhos opacos cinzentos perdidos
De saudades, estão secos.
A fuligem colada na memória,
Apaga o riso.
Tudo tão estéril
Os ventres e as bocas, ocas.
Não nascem bebês, nesses tempos
De salas assépticas e desumanizadas,
Até o quadro está fora do lugar.
Qual lugar?
Só cabe andar
No mundo de tudo e de nada
Em fila, para um matadouro qualquer
Fumado, injetado, engarrafado,
Ou repleto de pílulas azuis.
Enrijecem o falo, enquanto a prostituta
Chora na sarjeta.
Tudo tão vil imoral cru.
Amanhã só será amanhã.
Na tv, a manchete é a mesma.
10/05/19