Redondo, rotundo, redundante,
O berro, o grito e o sussurro
O gemido e o êxtase.
Os dias e as noites
O tempo, o vento e o deserto
O caos da esquina e o menino
A garganta aberta.
Mundo, gira, volta, mundo
O velho e o novo.
Semente, morte, óvulo, nascente
o sangue, o começo e o fim
O começo, o fim e o sangue
O segundo e o seguinte
Ontem, noite e amanhã.
O dia nasceu velho, repleto de rugas, de histórias e dos atenuantes,
Dos agoras, dos mil anos de antes
Tão cheio do que presta e do que não se presta ao adiante
Tão cheio de si, do que simplesmente se é,
Um tempo.
Espalham-se as cinzas dos segundos distraídos,
escapados das mãos frias, o resto da areia que se resta
É só a um rosto, que o espelho se presta
Ao deleite de um fim, ao regozijo de um recomeço.
Espalham-se as névoas de nós
As esperanças, os fracassos e os medos
As conquistas pequenas, o pó
Que resiste sobre o móvel velho
Que amanheceu em muitas manhãs
Que se fez nó, em noite sem Lua,
Que sobreviveu ao hoje.
E as máscaras num rosto de marcas
Do cansaço, do sol e do passado ido
Soube ser errante, poesia, verso , poema
Passante de um tempo,
Viajante.
Um outro dia, também acaba amanhã,
Ainda é tempo do instante.