Se é mulher desde a determinação genética, dos cromossomos XX
Um ritual cabalístico nascido nas montanhas ruidosas dos Alpes, nos gemidos dos ventos alísios.
Quando a incógnita matemática determinou a sina dos úteros cheios e vazios
Dos vazamentos sanguíneos das regras dos ciclos lunares
Capazes das engordas e das concepções nos líquidos amnióticos.
Se é mulher quando se cobra ter as pernas fechadas para que os usadores se gabem quando no hímen rompido
Quando se exige as obrigatoriedades matinais das esperas padrão
E se presta ao cabelo comprido, ao estético determinado,
aos afazeres domésticos e as rezas noturnas sobre os filhos dos homens bastardos.
Se é mulher quando se casa de branco, diante das testemunhas cívicas,
Preferencialmente com um macho modelo, mesmo que se tenham qualidades duvidosas nas mesas e camas dos nobres senhorios.
Se é mulher chamado de sexo forte, que morre diante das ideias das posses,
De se ter a pele marcada, como gado comprado,
Mantido em pasto confinado, das cercas eletrificadas,
E dos atentados sem punidade bíblica,
Nas incivilidades da sociedade doente.
Se é mulher, quando se resiste ao domingo
Se recebe menos, pelo trabalho digno dos sexos desiguais
E se levanta a guarda, o sustento dos filhos, a casa de teto mantido
E se mantém a espinha ereta, diante do assédio do chefe, aos dedos julgadores
Se é mulher desde o instante primeiro, até o rito final
Um pó diferente, de força e sensibilidades azuis.
Que se façam orgulho aos espelhos.