[Quantas vezes esperei minhas mortes em silêncio]

Quantas vezes esperei minhas mortes em silêncio, agonizando tantos gritos?
Estes, sim, – mortos.
antes que a voz se tornasse matéria, que fosse meia noite, que os fantasmas saíssem dos armários, que os ponteiros se encontrassem em novas voltas, que amanhecesse.

O sol explodido em gotas metálicas, sem nada do meu sangue, drenado antes da encomenda do corpo, antes da reza, antes do fim.
Pensava que a morte me deixaria surda,
Que houvera me esquecido em um canto de sementes, tal qual Deus e sua horde de anjos cegos e desistentes.

Condenaram-me ao óbito, em dia de segunda, ao final de uma tarde de novembro, ao som de um veredicto anunciado, em placas de trânsito.

Enquanto as baleias encalham em bancos de areia, sob o escaldo do sol
Estiro o corpo inerte, em algum necrotério local.
Talvez alguém, me lembraria do verso de Vinícius, ou de um pecado bíblico,
Pois já deitei em muitos corpos, já tive a carne usada,
Meus ossos, quebrados antes, do fim da partida.

Os homens assistiam calados, ao meu sepultamento.
Carregavam silêncios desonestos, floridos , em coroas coloridas
Temiam, que eu lhes pudesse dizer sobre as verdades dos fatos, dos atos,
Libidinosos e indecentes.
Inescrupulosos.

Ninguém me comeu as peles
pois já haviam mortas, premeditadamente, bem no dia, que me conheceram os olhos.
Os homens de punho cruel e lábios de mentira.

23 gramas, dizem, é o peso de uma alma.
Incontáveis, são as estrelas de uma constelação.

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta, escritora… E, claro, Livre Pensadora!

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