O que sobra da vida depois de amanhã
Se já não sei existir como ontem
Todas as certezas evaporadas quando se brinda a meia noite.
É outro dia, dizem eles, junto às janelas que não abro.
Amanheço, sem os reconhecimentos da pele
Que me habitou em círculos de redundância pragmática.
Meu léxico tem palavras incômodas e inoportunas,
E todo o desassossego das tormentas em alto mar.
Não há silêncio capaz de parar a imensidão.
O revolto das águas que castigam as encostas
Fazem desmoronar castelos de pedras
Como se fossem as cartas de um amor leviano,
Escritas em letras góticas, aos homens que não sabiam ler.
Toda a poesia inacabada em final de dia,
É verso amanhecido, não sobrevive ao sol.
Não queira dobrar-me ao poema,
Ao fonema inescrupuloso que brota no céu da minha boca,
São tratados incomunicáveis da rendição
Ao ato servil de todas as amanhecências.
Ainda restam dúvidas sobre os móveis, ao lado do pó.