A noite encontra os sons de desespero e moinhos, os pulsos presos e as correntes, a noite sente os ruídos dos pilares do mundo, quando tudo se gesta e morre, quando os sinais e sinas se convergem e colidem e geram faíscas e ficam a deriva, e sucumbem ao que é indigno e sagrado, quando a sombra assanha sobre as paredes, e gesticula medo e solidão.
A noite armada dos grilhões que se prendem aos homens sem liberdades, aos amordaçados e amaldiçoados, aos que perguntam e pensam, aos que fazem da verdade, blasfêmia, aos que já perderam o sol de hoje e amanhã.
Eram dias de infâmia e subordinações, eram dias de cegueira e entorpecimento, conveniências para a alma dos injustos e indiferentes.
Entre o medo e a desconfiança, a nitidez da perda, como se o tato não mais pertencesse às mãos, como se subitamente se cauterizasse um ferida, e a indigesta crosta, fosse passado distante, enquanto existia esperança e manhãs.
A fatalidade intranquila se abate sobre os sonhos daqueles que sussurram seus pesadelos, sem que ninguém os ouçam, sem que Deus se importe, sem que se amanheça.
Ao inferno e as estrelas.