[A noite encontra os sons de desespero e moinhos]

A noite encontra os sons de desespero e moinhos, os pulsos presos e as correntes, a noite sente os ruídos dos pilares do mundo, quando tudo se gesta e morre, quando os sinais e sinas se convergem e colidem e geram faíscas e ficam a deriva, e sucumbem ao que é indigno e sagrado, quando a sombra assanha sobre as paredes, e gesticula medo e solidão.

A noite armada dos grilhões que se prendem aos homens sem liberdades, aos amordaçados e amaldiçoados, aos que perguntam e pensam, aos que fazem da verdade, blasfêmia, aos que já perderam o sol de hoje e amanhã.

Eram dias de infâmia e subordinações, eram dias de cegueira e entorpecimento, conveniências para a alma dos injustos e indiferentes.

Entre o medo e a desconfiança, a nitidez da perda, como se o tato não mais pertencesse às mãos, como se subitamente se cauterizasse um ferida, e a indigesta crosta, fosse passado distante, enquanto existia esperança e manhãs.

A fatalidade intranquila se abate sobre os sonhos daqueles que sussurram seus pesadelos, sem que ninguém os ouçam, sem que Deus se importe, sem que se amanheça.

Ao inferno e as estrelas.

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta, escritora… E, claro, Livre Pensadora!

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