A cidade parece doente
Nenhuma nuance natural de azul
O céu é de um cinza macilento,
Talvez um tanto verde, como o limo que escorre das paredes dos prédios.
Eles tampam a vista daqui de baixo,
Um tanto melhor, assim desvia-se os olhos para os outros trechos da solidão.
Nesse caminho, não se veem flores
Talvez a água daqui, não lhe seja potável às pétalas
Talvez tenha o mesmo gosto salobre do último beijo.
Os lábios secos e frios
Eles trancaram a língua dentro da boca que um dia, me bebeu.
Nessa cidade esverdeada, cinzenta, danificada
De prédios altos, tortos, torpes,
Os ares já deixaram de ser brisa
Não sabem da maciez dos dedos
Ventam ásperos, trazendo cheiros ruins
Um som de desespero a deriva dos sentidos,
As dúvidas todas, presas ao varal
Como se não houvesse espanto
Em estender roupas sujas dos amores
Que nunca ficaram.
Quando tudo se está perdido,
Nenhuma cidade é ninho.