Você trouxe todas as palavras que minha boca quis dizer, do verbo bucólico, angelical, pueril, até as devassidões do inferno, o querer carnal, o coito desejado e todo a porra que se pudesse beber ao relento.
Entregou-me amenidades cênicas e latejar ao meio das pernas, atiçou-me em escalas cinematográficas e pornográficas e obscenas, até que eu queimasse os pelos e a pele, e tudo o que me fosse íntegro, e me cedesse aos dedos, e me derramasse em seu nome e apelo.
Despertou-me ao meio da noite, ao meio do dia, ao meio de mim, ao meio dos buracos, ao meio do inferno em que me jogou a ausência e ao disfarce, ao enredo e a mentira de algo, da promessa e do sonho escurecido.
Falou-me reminiscências e estórias do acaso, do amanhecer em cama quente, da água a se lavar pecado, do início e do fim da bebedeira branca, em que se mama e sorve, em que se benze a praga de um prazer solitário.
Você trouxe o inacabado, o inanimado, o desprezado gozo em noites de lua cheia, em que o monstro se despe da máscara, se faz homem, urra e geme, em esquina diferente daqui.
31.03.25
