Entre as sobras de um amor triste, há de nascer ervas daninhas, pelancas e sequelas, uma revoada de angústias e insônias, um despreparo de anjos e todos os desacontecimentos da palavra ontem, já que adeus já foi dito, em outra era glacial, antes que a própria pele desaquecesse dos dedos imemoriáveis.
Qualquer falatório, de resto, é migalha, chão batido, poeira largada sobre os móveis intocados. Qualquer resquício de sol vale mais que o tempo das despedidas, em que eu e você ainda nos sabíamos os nomes.
Resíduo é qualquer material ou substância que sobra de atividades humanas ou processos naturais e que, apesar de descartado, pode ser reutilizado, reciclado ou reaproveitado para a fabricação de novos produtos ou para outros fins. Diferentemente do lixo, em que se afundam os que se perderam de desinventar amanhãs.
Entre as sobras de um amor triste, há mais espaço entre o corpo, o lençol e o gozo perdido — pelo seco, silêncio de esperas, rumores de passado, espelho sem reflexo, fresta e vento. Esquecimento.
Incompleta é a noite sem céu de estrelas, em que me falto.
10/10/25
