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A Geometria do Vazio

Gostaria de possuir uma ideia tão bem acabada de renascimento, algo quadrado, pragmático, perfeito, sem arestas ou ângulos pontiagudos, uma concepção asséptica, descarregada de memórias, ou de vírus agravantes de ontem, do insólito e do indizível, qualquer pacificação branda para essa dor de parto, que carrego.

Quisera ter um nome de graça, que me desligasse desse chão, que a água corresse solta sobre os pés imundos e inundados da terra que me preenche os ossos, e numa cesária súbita, o cordão se rompesse calado, já que meu corpo, este sim, queima de necessidades e urgências, solta cheiro de cio, e se umedece, e esmorece, e diz clamor e alguém.

Poderia, a partir de agora, esquecer, desmemoriar-me num acesso total de despertencimento cabal, em que toda a existência acumulada de borrões e rasgos oblíquos de carne, se convertesse em vento, e vagasse sobre o relevo do teu corpo santo e maldito, que desejo além de minha morte anunciada, uma vez que renasço pagã, sem nome, sem objeto santificado, sem ninho ou cama quente.

Talvez, me caiba o som do silêncio, ao invés dos sussurros e gemidos , nas vésperas de todas as noites, em que o frio, me espera.

Há algo de acaso, em renascer.

04.04.25

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta, escritora… E, claro, Livre Pensadora!

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