O que pensar sobre pessoas que trocam de relação igual à de cuecas ou calcinhas? O que esperar de pessoas que jogam o amor no cesto do banheiro como a um papel higiênico sujo de esperma? Esperar uma relação prazerosa, não somente no sentido erótico e sexual, mas uma relação que um tenha prazer em estar com outro, que batalhe, que seja cúmplice? Jamais! A geração egoísta e egocêntrica que nasceu pós-Punk não conhece sentimentos puros, não tem conceito de amizade verdadeira, de companheirismo, de cumplicidade. A infidelidade não é algo que tenham como valor. E quando falo em valor não estou falando em valores religiosos, morais, etc., Ao menos não apenas isso.
Fidelidade não significa alguém ser proprietário ou propriedade de alguém. Há uma dose de egoísmo na fidelidade? Claro. Mas o egoísmo que manter o amor e a verdade. Sem fidelidade não há amor, não há verdade. Tenho conceitos pessoais e por motivações que não importam agora, muito claros e sérios a respeito desse assunto. Fidelidade é essencial e pronto e acabou. E fidelidade não significa exatamente transa, sexo, com pessoas peladas, corpos suando, esperma e etc. Uma pessoa que encontra um ex-amante e flerta, ou liga e faz sexo por telefone com o ex-marido, que liga ou recebe ligações de ex-parceiros ou parceiras e conversa sobre assuntos fúteis, tentando demonstrar que não há nada, mas que no fundo se sente feliz apenas para ouvir a voz do outro lado. Isso não é traição? Uma pessoa que faz o chamado “Sexo Virtual” não é traição? Uma pessoa que transa com o companheiro ou companheiro apenas para satisfazer um desejo sexual, mas não está nenhum pouco envolvida, não é traição?
O ser humano não é polígamo, apenas algumas culturas exacerbam nos dogmas e criam raças de seres humanos que traem seu próprio conceito de fidelidade. Antigamente os homens, especialmente os casados, procuravam sexo fora do casamento apenas por questões de serem mais bem aceitos em seu meio social. Traiam, mas para contar aos outros do que por realmente desejo. Hoje, as mulheres estão também agindo dessa forma, mas estou certo de que não sabem nem bem exatamente porque. É claro que existem pessoas com a libido mais forte e mais aguçada que as outras. Essas pessoas têm três caminhos: ou não se envolvem seriamente com ninguém, ou se envolvem seriamente apenas com quem tem uma libido parecida a sua, ou simplesmente, se um sentimento maior a prende a outra que não tem, aprenda a controlar, sem paranóias e neuroses. Não é tão difícil assim. Já fiz isso e não me arrependo. Agora, em se tratando de pessoas que pensam em sexo o tempo todo e não se importam com o que e quem vão usar pra isso, ai já é outro problema e ai recomendo um amigo meu psiquiatra.
Um dia conheci uma mulher que usava como jogo de sedução a “verdade”. Quando queria conquistar e prender um homem, dizia que tinha tido um caso homossexual, que era real, mas que fora apenas uma fraqueza. Quando queria se livrar dessa conquista, pois ela já não lhe interessava, fazia o jogo inverso: dizia que realmente era homossexual. E repetia isso com todos. E fazia também com as mulheres com quem havia realmente tido casos. Como dizia um antigo comercial da Folha de São Paulo: você pode mentir o tempo todo dizendo apenas a verdade. E o que é a verdade em termos de erotismo e sexo? Nem Freud nem Jung chegaram a uma conclusão precisa. Freud exacerbou de um lado, Jung de outro. Dizer a verdade num relacionamento nem sempre é a melhor coisa, por isso que coloco que o essencial não é a “verdade”, sim a fidelidade. Se houver uma fidelidade sincera, fatalmente a verdade será Verdade.
Hoje entendo claramente os desesperados, os mendigos e os suicidas. Geralmente foram amantes que tem uma história de dedicação a seus parceiros e de que uma forma ou de outra foram traídos. Ou não correspondidos. Ou usados. Os desesperados matam a origem de seu desespero. Entra ai os chamados “Crimes de Amor”, outros abandonam tudo e se tornam mendigos. Os terceiros enfiam o cano de um revolver na boca e atiram. Compreendo todos e conheci inúmeros que tomaram uma ou outra decisão. Não farei nada disso: amei demais, mas não sou desesperado o suficiente para matar alguém. Ser mendigo é muito chato e sou higiênico o suficiente para ser um. Meter uma bala na boca? Só se for de mel. Minha arma é de plástico e sou covarde o suficiente para não fazer isso. Aliás, o principal: ninguém merece uma vida. A minha vida, não vou me imolar feito um cordeiro santo em nome de ninguém que não soube compreender, ou não quis, o amor que eu dediquei. Não sou religioso, não acredito em re-encarnação nem em coisas do céu. Portanto, meu lugar é aqui mesmo. São e salvo. Sempre existe alguém que valha a pena, ainda acredito.
Ontem conheci uma mulher de uns trinta e poucos anos, descasada, descompromissada. Um desejo á flor da pele e eu, com minha libido em baixa achei que ia dar vexame. Fui sincero e abri o jogo. Ai entra a questão da Verdade, não do Jogo da Verdade. Quando existe Verdade existe Tesão, existe Amor, existe… Prazer. Descortinados e mortos todos os traumas, porque a Verdade mata tudo que é ruim. A Verdade floresce o que é bom. A Verdade desperta o Tesão. A hipocrisia me broxa. A falsidade me enoja. Amor é o que importa e se Deus existe é em Amor. Se o Diabo existe, ele não é não o pai do Rock, é a mãe da Hipocrisia e da Falsidade, duas gêmeas imundas e hermafroditas.
Qual é a Verdade do Tesão? Qual a Verdade do Desejo? Do Orgasmo sincero, porque todo o orgasmo tem que ser sincero. Não beba antes de fazer sexo, a vitima pode ser você. Não beba nem se drogue antes de fazer sexo, o Ministério da Saúde adverte, pode ser prejudicial a sua alma. Sexo é ótimo, com Prazer é melhor, isso pode parecer redundante, mas pense bem, olhe do seu lado e verá que não é tão redundante. Sexo com Amor, seja ele qual for, é melhor ainda. Aliás, tem que ser assim. Ora, “vá dormir, garota, que você está bêbada e eu não vou te comer!” Se você é mulher e já ouviu isso, olhe no espelho e diga: “Que porcaria eu sou? Que lixo eu sou?”. Aliás, esse termo “comer” não é além de chulo e machista, tem um contexto real: quando a gente come, se nutre, se farta e o prato fica vazio, a comida… Vira nada. Entenderam? Conheci mulheres que diziam assim: “Fulano já me comeu!” Que ridículo! O que sobrou da “comida”? Na melhor das hipóteses, apenas o resto. E resto só quem come é quem está faminto… Ou desesperado. Mulheres assim estou fora!
Nas décadas de 50, 60 muitas e gloriosas mulheres lutaram por direitos iguais aos homens. Queriam direitos civis, de igualdade social etc. O que fizeram com isso? Não se contentaram em “conquistar” esses direitos, que nem eram não importantes assim, mas pegaram todos os defeitos e sujeiras que os machistas usavam, que era usar as pessoas, trair, usar e subjugar e incorporaram ao chamado Universo Feminino. Sabem no que se transformaram? Não em mulheres independentes, como acreditam, mas apenas em mulheres vulgares, sem mais nenhum encanto feminino, e não estou absolutamente falando em sem “donas de casa” passivas e outras babaquices. Adquiriram trejeitos, formas de pensar e agir abrutalhadas e sem sensibilidade. Enfim se tornaram homens com uma buceta e um par de peitos. Acordem, senhoras!
27/01/2006
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.

Foda!