Decreto

1. Decreta-se aos pobres podres súditos deste reino de bananeiras, a partir da divulgação e promulgação do presente ato, que todos aqueles que acreditam na senhora cega (por ocasião da subtração de sua visão, por uma faixa anômala de cunho duvidoso), que porventura segura uma balança em suas mãos, estão mais cegos do que a mesma, neste caso, não pelo motivo similar, mas, talvez por conveniências libidinosas aos desmandos da corte, talvez por regalias escuras, repassadas por meio de escusas meias e cuecas ou qualquer outra indumentária suja, ou talvez ainda, por neurônios preguiçosos ao exercício das honestas sinapses locais. Logo, portanto, sem melindres e diretamente imposto, está liberada e oficializada , a cegueira generalizada aos servos do Rei (que também lhe falta um dedo no tato e outras falhas de caráter e sanidade)

Há de se intuir ainda, que tal senhora, além de cega (como mencionado no item 1 deste decreto)sofra de severas anomalias em sua coluna vertebral, haja vista que um dos lados da balança lhe é mais favorável, sendo-lhe muito mais rentável e produtivo e conivente e assertivo e natural e imoral e cervicalmente falando, o pouco sacrifício, e a venda das sentenças, e a liberação das farras, das farpas, dos bandidos, e a impugnação dos acordos de leniência, e a sobrevivência dos comandos, e o apagar das imagens, e a abertura das celas, e as mentiras ditas nos telejornais locais. Logo, portanto, não lhe cobrem o acerto vertebral, nem a honestidade cívica, nem a verdade, nem a justiça e as letras.

2. Decreta-se, por consequência, aos podres pobres súditos restantes, deste bananal, deste bacanal, deste País situado em determinado lugar aos Trópicos, que não se enquadrem como crédulos na tal senhora cega (já mencionada) e que porventura se valham de neurônios, e sinapses e conexões e pecaminosos pensamentos pensantes, que se contentem a insignificância de sua fala, que mantenham as mãos em local visível, que digam amém, que concordem com os fatos montados, que não escrevam versos nem anedotas, que não se rebelem, que escovem os dentes e façam suas necessidades fisiológicas em locais adequados, que não saiam às ruas, que não façam faixas, que não usem amarelo, que não contestem, que frequentem as igrejas e os templos de toda sorte, que acreditem nas runas, nas urnas e nas vacinas. Logo, portanto, que tendam a confiar nos togados, no califado, no Rei abjeto e nos seus companheiros de Palácio

3. Decreta-se por fim, que todas as determinações devam ser seguidas a linha, aos rigores da Lei (sim, existem Lei para esse tipo de insurgente plebeu)sob pena de que esta tal senhora cega, lhe comam os olhos, os dentes, a língua e os ossos.

Ao final, estaremos todos, sem os sentidos sensoriais, sem o chão, nem as lápides

Fevereiro, 2024

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta, escritora… E, claro, Livre Pensadora!

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