“Contra o Bloqueio da Rede VPN: Uma Reflexão Necessária: O recente debate sobre o bloqueio da rede VPN para acessar a plataforma X levanta uma questão importante sobre os direitos digitais e a liberdade na internet. Acredito que o Ministro Alexandre de Moraes, ao propor tal medida, pode não estar considerando todas as implicações dessa decisão.
O uso de VPNs (Redes Privadas Virtuais) vai além de contornar bloqueios ou acessar plataformas específicas; trata-se de uma ferramenta essencial para garantir a privacidade, a segurança e a liberdade de expressão online. Em muitos casos, as VPNs são a única maneira de cidadãos protegerem suas informações pessoais de ameaças cibernéticas ou censura, especialmente em regimes mais autoritários.
A decisão de bloquear o acesso a VPNs pode ser um tiro no pé. Ao invés de resolver o problema que se pretende combater, essa medida pode acabar punindo os usuários comuns, que usam essas redes de forma legítima e dentro da lei. Além disso, restringir o acesso a informações e plataformas na internet fere princípios fundamentais de uma sociedade democrática. Portanto, antes de tomar medidas drásticas, é necessário um debate mais aprofundado sobre o assunto, considerando as consequências para a liberdade digital e os direitos dos cidadãos. Bloquear VPNs não é a solução; precisamos de abordagens que respeitem a liberdade e a segurança de todos na rede. — Mensagem recebida de um especialista em TI, na madrugada de 30 para 31 de agosto de 2024, após a decisão monocromática do ditador em bloquear a plataforma X no Brasil, a exemplo de ditaduras como China, Coreia do Norte, Turcomenistão, etc.
— É sério demais agora. Ninguém mais está a salvo desse ditador psicopata. Alguém precisa parar esse tirano. Não é por um, nem por poucos. É pelo mundo que conhecemos. Se ele conseguir fazer isso, pode esquecer o teu trabalho, o meu, e o de todos que usam internet para algum propósito. E pelo que li, até bancos usam VPN por segurança. Mas para esse doente, a internet e suas ferramentas representam perigo. Hoje o X e a VPN. Amanhã será o BarataVerso, a empresa de informática, o site do tio da cocada. Nunca vivi isso. Nem a merda da Ditadura Militar era tão descarada. Todo mundo está com medo. Como pode um único homem ter um país inteiro debaixo de sua vontade? — Falas do BarataVerso.
Um amigo escreveu: “Um conhecido meu deu uma passeada pelo site e comentou comigo ‘Caralho, esse Barata tá querendo ser preso que nem aquele cara do livro do Kafka e nunca mais ser visto??'”. Não, querido amigo do seu amigo, eu “não estou querendo”, muito menos sou um destemido corajoso que visa afrontar o poder gigante do establishment, feito um pequeno Davi a enfrentar o gigante Golias com uma atiradeira, no caso, uma marreta chamada Diógenes, que atende no BarataVerso. Não, não se trata de coragem da minha parte, mas uma mistura de maus sentimentos que apontam na direção do medo, do desespero e do absoluto terror diante de atitudes que a imensa maioria percebe e sente, mas, paralisada pelo horror tirânico, com certeza mais sabiamente que eu, prefere se calar. Claro que não quero, e o comentário do amigo do amigo é baseado no medo imputado às pessoas.
Desde que me conheço por gente, e me conheço por gente desde os tempos da Ditadura Militar, embora nunca tenha tomado atitudes mais concretas, como participar de grupos políticos, sempre usei daquilo que tenho como orgulho, que é minha capacidade de pensar e escrever sobre, para criticar o Sistema, mas podem estar certos de que o preço foi muito mais alto do que imaginam. Ainda no século passado, com o site que me deu a “alcunha” de Barata, um ser kafkiano, que não é baseado apenas em A Metamorfose, mas também em O Castelo e O Processo, criei um slogan que me norteia por quase trinta anos: “Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade.”
Não, queridos, não sou o Homem de Coragem, o Capitão Barata, destemido e aguerrido. Apenas um velho poeta, abandonado por filhos que foram roubados por esse sistema nojento, que simplesmente removeram a minha existência de suas vidas como se limpa um monte de merda do chão, e finge que ninguém cagou ali. Não é a coragem que me move, é o medo. E o medo pode ser muito mais perigoso que a coragem.
Meu amigo fala que, se não fosse por seus cachorros, por ter que abandoná-los caso aconteça algo com ele, ele não teria medo. Entendo claramente a situação, e também tenho (mais) esse temor com relação às minhas filhas-felinas, que não ficam longe de mim um minuto, mas garanto que são elas, e é por elas, que transformo meus medos, minha indignação e tristeza numa coragem covarde, mas necessária. É… Tristeza com isso é a definição para o que sinto. Daquelas tristezas que não se curam na manhã seguinte, ou depois de uma bebedeira. Tristeza que não acaba, porque sua causa apenas aumenta a cada manhã e a cada garrafa de cerveja.
E tudo, nesse caso, me parece tão surreal quanto nas obras de Kafka. Nada parece fazer sentido, desde a coincidência na aparência do ditador com personagens vilões de histórias em quadrinhos — declarando que não acredito em coincidências — até o silêncio conivente de quase todo o aparato governamental, incluindo senadores e deputados. Nem o mais imaginativo escritor de distopias seria capaz de engendrar uma história distópica para explicar.
Tudo o que vivemos parece ir além das distopias orwellianas e huxleyanas, parece um monte de episódios de Além da Imaginação. Surreal. Incrível (não crível), inacreditável.
Por fim, me lembro, com relação a muitos que conheço, daquela citação do Pastor Luterano Martin Niemöller, que aliás faço uma adaptação livre em cima da situação atual:
Primeiro eles vieram buscar os políticos direitistas, e eu fiquei calado, porque não era político direitista. Então, vieram buscar os jornalistas anti-esquerdistas, e eu fiquei calado, porque não era jornalista anti-esquerdista. Em seguida, vieram buscar os usuários de redes sociais, e eu fiquei calado, porque não tinha perfil no X, nem no Facebook. Depois levaram o dono da empresa de informática, do portal de notícias, do site que dá receitas de bolos, e eu me calei porque eu não era dono de nada disso. Foi então que eles vieram me buscar, e já não havia mais ninguém para me defender.
Um certo dia, Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos transformado num inseto monstruoso, assim, foi levado a um castelo em forma de Palácio onde permaneceu preso para o resto da eternidade sem saber qual era o crime do qual era acusado. Era um homem obsoleto, que decerto não era mais útil à sociedade, porque, quando se perde a utilidade e assim se ameaça com sua intranquilidade a “pacífica” sociedade, quando se tem o respeito roubado, a existência apagada, não há mais qualquer vestígio nele de humanidade, de bondade. Resta-lhe apenas a sua insofismável verdade, que um dia poderá, mas tarde demais, ser reconhecida. Lá não haverá ninguém com covardia suficiente para defender mais nada. Todos foram levados.
Barata Cichetto, Escrito e Publicado em 31/08/2024
(Nota: está a minha milésima publicação no BarataVerso, e gostaria de ter escrito algo mais festivo, embora as outras 999 estejam completamente abandonadas, praticamente sem vistas ou comentários. Parece que apesar de toda minha dedicação à escrita e à produção de conteúdo, sequer meus pares se importam com que faço. De qualquer forma, não poderia deixar de expor meus pensamentos mais profundos diante de tanta barbárie.)
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.

Como não poderia deixar de ser, tenho acompanhado as investidas do ministro Alexandre de Moraes não apenas contra a liberdade de expressão, bem como outras liberdades que foram recuperadas e/ou ampliadas no bojo da Constituição de 1988. Vejo que o problema não está exatamente na figura do intrépido juiz da Suprema Corte, e sim na daqueles que tinham, INDEPENDENTEMENTE DE SEUS POSICIONAMENTOS POLÍTICOS E IDEOLÓGICOS, ter colocado um freio nas ambições do ministro, até não muito tempo atrás, ter sido chamado de “Muralha” na capa da revista Veja. Dou a isso o nome certo: omissão.
Evidentemente, sabemos que o ministro não age sozinho. E sabemos, também, que (e não é de hoje) a Suprema Corte não cuida apenas da defesa da Constituição. Graças a uma série de fatores, a instância máxima da Justiça brasileira agregou uma série de poderes, inclusive o de interferir em outros poderes. Atualmente, vejo o STF como um poder paralelo, claro, com muito poder, de modo que a vida dos brasileiros é regida por obra e graça de 11 pessoas, quase todas umbilicalmente ligadas ao atual governo.
Repeti acima várias vezes a palavra ‘poder’, porque é isso que interessa aos onze togados. E é isso que interessa também a certas figuras e empresas que a concentração de poder na esfera da alta corte é interessante para os negócios. De qualquer tipo!
Mas, insisto em dizer que, as coisas só estão no ponto a que chegaram graças a omissão de seguimentos importantes da sociedade, especialmente, setores da grande imprensa, da classe artística, de grandes empresas e de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil que, para respaldar uma duvidosa defesa da democracia, escolheram o demônio perfeito: o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e todas as ideias que o transformaram em persona non grata, desde que ele foi vítima do atentado a faca em 6 de setembro de 2018.
Agora, graças a toda sorte de desacertos e acordos espúrios, convivemos com o banimento da plataforma X no Brasil. Agora, Banânia passa a integrar o grupo de países que cerceiam o direito a liberdade de informação, de expressão e outras tantas liberdades que fizeram o Ocidente ser o que é.
O vilão da hora é o empresário Elon Musk, cujos interesses foram duramente afetados pelo ministro. Os embates entre o bilionário dono da plataforma X e o plenipotenciário ministro prejudicam os 22 milhões de usuários da antigo Twitter. Moraes está apostando suas fichas (que devem estar acabando) para sair vitorioso. No entanto, vozes mais prudentes dizem que o ministro vai sair perdendo.
É simplesmente lamentável, além de humilhante, ver o Brasil metido nesse atoleiro. Além do mais, não torço pela briga; torço pela derrota do ditador e daqueles que o apoiam.
Agora, sim. Após uma série de ‘test drives’, e com a anuência de parte considerável da grande imprensa, a censura não apenas retornou, como marcou território. Ainda é possível expulsá-la, mas não será tarefa fácil.
Contudo, o tempo é muito curto. Tudo irá depender dos resultados das eleições municipais deste ano, bem como da pressão aa Oposição, no sentido de defenestrar o ministro Alexandre de Moraes de seu trono no STF. Infelizmente, a Oposição ainda não possui um número folgado de parlamentares para fazer valer o desejo de milhões de brasileiros que tiveram seus direitos cassados pelas ações de Moraes, graças a àpatia, à omissão, a conivência e o espírito de corpo dos outros dez ministros da Corte, o que não chega a ser uma novidade.
Por fim, diante dos fatos de agora, sou levado a imaginar que, Napoleão, o porco-chefe de A Revolução dos Bichos, está de mãos dadas com o Grande Irmão da distopia 1984. Orwell vive!
Uma imagem perfeita esse seu parágrafo final, e quisera eu ser um desenhista para criar tal imagem: Napoleão e o Big Brother de mãos dadas, porque isso ilustraria como nada mais a nossa atual situação. E por mais que eu eu tente usar minha imaginação de poeta, e mesmo que se pudesse hoje trazer à vida Orwell e Huxley, decerto ficariam eles com inveja da distopia real que os artífices desta nossa atual realidade engendraram. Não, nem nos meu piores pesadelos distópicos eu sonharia com uma realidade tão nefasta e cruel, envolvendo tantos elementos e tramas dignas de um romance de espionagem para escrever tal trama. Espero que os linguistas criem uma palavra além das que conhecemos que possa descrever a atual realidade em que vivemos – ou ao menos sobrevivemos. Será que um dia, nas futuras gerações, alguém estudará este nosso momento? E a que conclusões chegará?
Há cerca de 40 anos, quando deram por terminada a Ditadura Militar, e diante das promessas da Nova Constituinte e todas as balelas que nos fizeram acreditar, sobre Constituição Cidadã e outras coisas, e nos deixaram cerca de uns dez anos (a década de 90), acreditar na liberdade de expressão, na ausência de censura e em toda aquela merda plantada pelo Teatro das Tesouras, quando na verdade estavam mesmo era pavimentando a estrada para esses ditadores de toga, de fralda ou de andador, caminharem.
O que mais sinto além de medo é uma coisa chamada vergonha. Vergonha de ter nascido num país que é, e sempre será o pasto de vermes (sei que vermes não pastam) como esses que hoje tomaram o poder nesta terra. Medo, covardia e vergonha, no entanto, sei que não são prerrogativas minhas, pessoais. Sei que muitos e muitos milhões sentem isso. E dessas não sei qual é a pior.
Gostaria de acreditar no Inferno, em algum tipo de justiça do além, e assim me conformar que um dia esses seres, que nem posso chamar de humanos, possam pagar por seus crimes contra a humanidade, mas como parece que tanto Deus quanto o Diabo estão rindo das nossas caras de idiotas, nada posso esperar.
Para mim o grande ponto não envolve nem medo nem coragem. O ponto é: para que ser mártir para nada? Se fosse como na situação do cara que se mata enfiando a nave dos invasores alienígenas e DESTRÓI a nave, no primeiro INDEPENDENCE DAY (para mim só teve o primeiro, já que o segundo é um nojo em todos os aspectos), ok. Mas para que ser preso ou ver amigos sendo, pra que morrer se o sacrifício não vai mudar em nada a situação? Se eu fosse uma pessoa que pudesse fazer algo que levasse a alguma mudança de rumo na atual situação, eu certamente faria. Mas não sou, o meu amigo autor do belo texto acima não é, e não convivo com ninguém que seja. Morrer e ser parte de uma solução ou, pelo menos, do início dela: maravilhoso. Morrer de graça, à toa e para nada mudar um milímetro do que é atualmente: bobagem. Admiro a coragem baratal, como já disse ao próprio Cichetto. Mas isso é pra quem tem, não para quem gostaria de ser. E meu amigo, embora de modo cortês como é de seu feitio com as pessoas que ele respeita, já deu a entender que estou entre os covardes. O que nos leva ao início desse comentário. Voltando lá e relendo num loop infinito: Para mim o grande ponto não envolve nem medo nem coragem. O ponto é: para que ser mártir para nada? Se fosse… (Leitura infinita.)
Celso, meu amigo! Respeitosamente, que sabes bem ser minha maneira de ser, mais uma vez confronto suas opiniões: “”para que ser mártir para nada?” Klaro que não me comparo a nenhuma figura mítica que você segue e acredita, mas já pensou que algum discípulo de JC deve ter dito a ele a mesma coisa? Repito, longe, bem longe mesmo de mim, me comparar a qualquer entidade “superior”, seguido por bilhões há milhares de anos, até porquê o fato de eu ser ateu me descrediria imediatamente, já que não acredito em autruísmo e auto-sacrfício. Então, creio que sua pergunta não me faz nenhum sentido com relação a “ser mártir”. Quando ao “para nada”, meu caro, seria preciso mais um dez artigos como esse para tentarmos entendem o que é esse “para nada”. De começo, somente o fato de você estar aqui e comentar, mesmo discordando, já deixa de ser um “para nada”. Já é para mim um “para isso”, por exemplo.
De resto: coragem e covardia, como creio ter deixado claro no meu texto, são as chamadas “duas faces de uma mesma moeda”… E, meu caro e muito respeitado e respeitoso amigo: jamais chamarei, muito menos a um amigo, de covarde, pelo motivo acima exposto, e até porque, nestes tempos, ambos tem o mesmo sentido: medo.
Seguindo o teu looping: “o grande ponto não é coragem ou covardia”: o grande ponto é o “para nada”. Leiamos em looping eterno até entender o que significa “para nada”.
Obrigado por seu comentário, sempre muito bem-vindo!