Eu queria cheirar a Martha Medeiros, pensou o gaúcho, estudante da PUC, que também queria ser, como ela, cronista. Mas ele não podia, por que Martha Medeiros, não era flor de que se cheirasse.
Eu queria escutar a Martha Medeiros, falou o carioca, analfabeto do morro, que também se dizia, como ela, poeta. Mas ele não podia, por que Martha Medeiros não dizia nada, também.
Eu queria pegar a Martha Medeiros, imaginou o baiano, sonhador da Cidade Baixa, que também achava ser, como ela, romancista. Mas ele não podia, por que Martha Medeiros também não era.
Eu queria ver a Martha Medeiros, sonhou o mineiro, olhando a capa de um livro em Belorizonte, que se via, como ela, contista. Mas ele não podia, por que Martha Medeiros também não via.
Eu queria comer a Martha Medeiros, ruminou o paulista, que também gostava de ser, como ela, poeta, contista, romancista e cronista. Mas ele não podia, por que Martha Medeiros não tinha gosto.
02/05/2019


Pornomatopéias
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição: 5ª.
Editora: BarataVerso
Páginas: 222
Tamanho: 20× 20 × 1,50 cm
Peso: 0,550
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.
