Eu tinha uma conta no Facebook desde 2008, mas em 2020, em plena Fraudemia, e com toda a insuportável guerra política em que nos enfiaram, e cansado de ser ofendido, ou ter que explicar que eu tinha o sagrado direito de ter minha opção política, a excluí definitivamente. Muitas das coisas ali publicadas eu guardei, e posteriormente registrei o direito autoral juntamente com outros pensamentos em texto. Esta série, de 2016 a 2019 é apenas um arquivo pessoal, para que essas coisas não se percam. A maioria são textos meio bobos, mas servem como uma amostra de como as coisas eram, e qual era minha forma de pensar. (BC 25/03/2024)
2018
Em meu mundo, todos têm o direito de gritar, de prazer ou de dor. Em meu mundo, todos tem o dever de escutar, com prazer ou com dor. Em meu mundo, todos têm o direito e o dever de respeitar, o prazer ou a dor.
03/01/2018
—-
Ao contrário de amiguinhos que desejam que eleitores contrários a suas sanhas tomem no cu, eu não lhes desejo feliz 1964, desejo-lhes feliz 2019, 2020, 2021 e 2022. Pelo menos. E espero unicamente que guardem suas facas, foices e martelos, e que tirem das gavetas alicates, canetas, colheres de pedreiro, qualquer coisa que possa colaborar para este país ser digno, não quintal de ladrões e assassinos. Feliz ano novo!
30/12/2018
—-
“que morra na miséria, esquecido, sem eira nem beira, como provavelmente morreremos todos nós, assim que somos todos Waltel.”… E somos todos… Cadê os gritos, os rumores, os agitos, os ditos e os não ditos? Cadê a comoção, cadê a emoção? Morreram todos. Somos todos póstumos vivos, à custa de cliques e curtidas, alimentados do ego que alimenta, a mão que nos rouba, em troca de um perdão sem crime, ou de um crime sem perdão. Cadê? Cadê Rolando, cadê Barata, cadê Waltel, cadê fulano, beltrano e mengano? Onde estão? Estão todos no Facebook curtindo e compartilhando. Sim, todos somos culpados.
(Sobre um texto publicado por RCJ a respeito da morte de Waltel Blanco)
14/12/2018
—-
São quase cinco da manhã, e os pesadelos do dia não me deixam dormir. Entre as brigas e ofensas entre aqueles que defendem sobre quem será o melhor presidente do país e a barriga que foi colocada para dormir sem ser preenchida, e agora teima em fazer ruídos ensurdecedores no meio da madrugada, tentei dormir. Um pássaro que não conheço, pois sempre fui preocupado com outras coisas, canta anunciando o fim da noite. O trem apita, como sempre, no meio da madrugada, ou como o grito de um condenado que por pouco tempo irá deslizar pelos trilhos mal cuidados, e dará lugar a prédios. Araraquara dorme, amanhã não tem nada a ver. Nem a comer, mas o que importa é o astro do Rock falando merda, a facada no candidato e os mentirosos de sempre se agarrando ao poder. O pássaro ainda canta, minha barriga ainda ronca. Será que o matraquear dos meus pesadelos diários cessará quando o sol sair, e esse pássaro for dormir?
12/10/2018, 4:58H.
—-
E de armas em punho, foices, martelos e facas, os exércitos caminham pelas ruas, feito zumbis do apocalipse, pedindo liberdade ao gerente da fábrica, e acreditando que, assim, estarão falando em nome da liberdade e da igualdade.
Realmente, numa indústria de cérebros moídos tudo se parece igual, mas mesmo ali ainda existem diferenças, pois quem aperta o botão da máquina, quem gira a manivela, nunca será igual. Afinal, todas as mortadelas são iguais, mas algumas são mais iguais que as outras.
09/10/2018
—-
Guardem suas facas, suas fardas, suas foices e seus martelos; escondam das crianças seus conceitos, seus defeitos, seus direitos, seus confeitos; enfiem no rabo suas ideologias, suas demagogias, suas hemorragias; cumpram seus deveres, comprem seus haveres; sustentem seus vícios, abram seus orifícios, façam seus serviços; paguem suas contas, façam contas, façam de conta; paguem por seus alimentos, suem por seus sustentos.
Fodam-se com suas direitas, suas esquerdas e seus meios; deixem a direita livre, a esquerda solta e o meio como meio; aprendam a língua, mordam suas línguas; façam o que quiserem, mas façam direito; façam o certo mesmo que seja o errado.
Façam o quiserem, votem em quem quiserem, ou não votem em ninguém. Mas me façam um imenso favor: me deixem em paz.
17/09/2018
—-
Pensando bem, não sabem, não. Só vão entender, saber, no dia em que forem e se sentirem responsáveis por outras pessoas. E não estou falando de teorias comunistas, mas de humanismo, de humanidade. De resto fiquem com suas revoluções coletivistas, libertem o bandido e enforquem o juiz. E desculpe porque não fiz do jeito que quis. Cresça e apareça. Apareça ou esqueça. Esqueça o que fiz. Não peço desculpas e não peço perdão. Fiz o que foi preciso ser feito. Pelo meu direito de ser e de fazer. Sou meu juiz. Sou Luiz. Mas tenho dez dedos nas mãos. Todos diferentes. Não precisa procurar entender, nem mesmo responder. Por favor se cale. E não diga que falo demais. Ademais, se foi demais me esqueça. E só me procure quando se encontrar. Quando souber o que é sentir e ser, responsável ou outro alguém. E… Foi gol do Brasil….
27/6/2018
—-
Há gente que mata em nome de um deus e é considerada santa por seus pares. Tem gente que mata em nome da palavra liberdade e é chamado de herói por seus pares. Tem gente que mata em nome do amo e é considerado justo por seus pares. Tem gente que mata em nome de um ideal político e é considerado santo, herói e justo por seus pares. A conclusão que chego é que matar só é um crime para os que morrem, e pelos antagônicos ideológicos e teológicos dos criminosos.
21/07/2018
—-
“A religião é o ópio do povo”, disseram que disse Marx, que não é nem o Groucho nem o Chico, nem o Harpo. Se bem que ele apenas sintetizou outros pensadores. Mas o fato é que, o que ele ajudou a criar, deixou de ser uma ideologia e se transformou num DOGMA. E o resultado é o que vemos. Ou seja: comunismo virou ópio do povo, hoje sob forma de pão com mortadela e bolsa família.
—-
“Alguns esquerdistas acreditam que o mundo comunista funcionaria bem se a ” gente boa ” estivesse no comando dele. Não se dão conta de que, por definição, as pessoas boas não querem controlar a vida dos outros.” Ludwig von Mises.
A frase de Mises reflete muito o pensamento de muitos amigos que conhecemos. Aí fica a pergunta: podem mesmo essas pessoas serem consideradas boas, quando atacam violentamente amigos verdadeiros por essa crença? Pessoas boas fazem isso? Aliás, essas pessoas normalmente são fanáticos, e de novo a pergunta: fanáticos podem ser considerados pessoas boas?
25/04/2018
—-
A analogia de uma família ao corpo humano é simples e antiga. Todos os órgãos tem sua importância e seu papel, e seguem até mesmo uma hierarquia. A destruição de um órgão pode destruir o corpo. E quando um órgão fica doente, todo o resto adoece. Um órgão com câncer, através da metástase, se espalha e contamina todo o restante. Então, o que é preciso ser feito? Arrancar esse órgão, sob pena de todo o corpo falecer. A doença não pode se espalhar. O corpo precisa sobreviver.
29/04/2018
—-
Ah, não devemos odiar as pessoas por sua opinião política. Isso é muito errado. Vamos odiar as pessoas pelo gosto musical, pelo futebol, pela opção sexual, pela classe social, pela cor da pele, pela roupa. Aliás, vamos odiar as pessoas por qualquer motivo. Elas merecem e gostam de ser odiadas.
11/04/2018
—-
As pessoas ao meu redor que ignoram o meu trabalho têm toda razão. Afinal, o que faço é ignorado por todas as outras pessoas, não fosse assim elas não silenciariam. A ironia disso chega a ser cômica, mas é de fato tão trágica que chega a ser engraçada. Ou não…
—-
2019
Uma amiga de Facebook posta a frase atribuída à escritora feminista Gloria Steinem “Uma mulher sem um homem é como um peixe sem uma bicicleta.”. E num mundo tão “ista”, penso em responder: realmente uma mulher sem um homem faz o mesmo que um peixe sem bicicleta, ou seja: NADA. Mas desisto. É que as pessoas estão tão independentes, tão seguras de suas condições essenciais, que eu correria o risco de ser chamado de escritor machista, ou como já fui chamado, com um aviso de perigo antes: “cuidado com o macho poeta”..
17/08/2019
—-
O problema com uma parcela de pessoas é que citam problemas brasileiros de dez, vinte, trinta, quarenta anos atrás, como se tivessem começado neste ano. Leio textos imensos de pessoas falando sobre o sofrimento dos pobres, desmatamento, violência ― contra homens e mulheres , problemas na educação e mais um rol de coisas que acontecem até mesmo em qualquer lugar do mundo há milênios. Não sei se ingenuidade, não sei se por lavagem cerebral gramsciana, mas, meus queridos, pensem um pouco e se atrevam a pesquisar, hoje existe uma biblioteca gigantesca biblioteca ao alcance de um clique, e descobrirá que seu discurso poderia ter sido por outra pessoa, por exemplo, há cinco anos.
08/08/2019
—-
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.
