O fundo dos olhos diz sobre espelhos e maus tratos
Sobre monstros e labaredas
um verniz e suas máscaras.
Conta a história verídica,
Escondida debaixo do tapete.
mergulho no verde
Da pupila dilatada, pelo colírio dos dias
Faz arder.
No vermelho da carne, embebedada de sangue.
A verdade do osso
Vista na íris opaca,
Que o tempo castigou.
A voz esquecida, desabita a garganta
Não sabe mais dizer sobre o céu azul,
Nem contar as fábulas
Das bonecas de pano.
Ainda é outono das folhas varridas.
Não sabe do som do silêncio, da risada abafada, do grito.
A porta não abre.
Só um estranho, de reflexo inodoro invisível
Alguém cego, cambaleante, sem etiqueta de identificação
Sem olhos de querer ver, espelhos.
28\05\19