Os homens ditam seus próprios evangelhos
Sob o olhar nosso de cada dia
Escrevem sobre pecados e virtudes na mesma linha,
Como se fossem partes simétricas de um simples avesso
Céu e inferno,
Sina.
Misturam rezas e credos
Acreditam em milagres e punições
Se eximem da responsabilidade
Como se a liberdade a excluísse
E a todos fosse dado o direito de estarem nus.
São os espelhos que dobram o caminho.
E já não se basta recriar a estória
Subverter a memória
Ainda se precisa de um culpado.
De mãos a se lavar em bacias de prata,
Respingar os nós dos acasos.
O muro das omissões, de quem a covardia já tomou o ser.
Não há pureza, além da retina.
E ao prazer do autor, o evangelho riscado
Com suor, sangue e o leite coalhado das tetas reluzentes
Seremos todos, anjos e demônios
Como bem lhe couber a pena.
Mal sabem os olhos, que não é sobre si mesmo
O fiel julgamento
São os outros, sobre quem sou juiz,
Como se em minha inescrupulosa alma, só houvesse purificação.
Maio 20