Manifesto Singular

Eu, signatário único do presente manifesto, que tem o objetivo único de manifestar meu repúdio a atitudes de minha própria parte e responsabilidade. Portanto o presente manifesto é contra ninguém menos que eu mesmo!

Segundo a definição da Wikipedia, manifesto define-se como “um texto de natureza dissertativa e persuasiva, uma declaração pública de princípios e intenções, que objetiva alertar um problema ou fazer a denúncia pública de um problema que está ocorrendo, normalmente de cunho político. O manifesto destina-se a declarar um ponto de vista, denunciar um problema ou conclamar uma comunidade para uma determinada ação. Estrutura relativamente livre, mas com alguns elementos indispensáveis: título, identificação e análise do problema, argumentos que fundamentam o ponto de vista do(s) autor(es) do manifesto, local, data, assinaturas dos autores e simpatizantes da causa.”

Estabelecida a função de Manifesto ao presente texto, cabe-me então externar os motivos que o levaram a ser escrito.

1 – É de conhecimento popular a fama do destinatário deste Manifesto ser um homem que externa suas opiniões e principalmente sentimentos por intermédio de poesias e crônicas, publicando-as imediatamente ao ser escritos na mídia conhecida por Internet. Escritos que não são autobiográficos nem biografias de pessoas, mortas ou vivas. O auto designado “Poeta e Escritor” afirma também ser um Livre Pensador e proprietário de suas faculdades mentais – ao menos dentro dos critérios estabelecidos quanto á normalidade pelas ciências da mente, neste principio de Século XXI.

2 – É também de conhecimento público, o fato de que o destinatário deste Manifesto ser um ser sempre dedicado aquilo e aqueles que ama, quer estejam sob a forma de trabalho, arte, pessoas ou demais seres vivos ou mortos, sendo portanto em muitas oportunidades confundido com um idiota fácil de ser manipulado.

3 – Também é de conhecimento dos meios exteriores que o alvo deste Manifesto é um ser com limites de paciência e de uma reação verbal violenta quando descobre ter sido ludibriado em seus sentimentos e, principalmente quando os alvos de sua dedicação tornam-se seres vis e também o fato de que o mesmo não acredita em santos, anjos e deuses, declinando da religião das crenças que tornam as pessoas pacientes e comedidas. Aliás, tanto em um caso quanto no outro afirma que sempre achou que pessoas eram santas na essência até descobrir que santos são pessoas na essência e que pessoas na essência nada de santas têm. Quando á deuses de qualquer denominação, acredita que sejam apenas criação de pessoas que em essência não são santas, portanto qualquer criação não tem a capacidade da santidade, algo inerente por definição apenas aos deuses.

4 – Conhecido também é o fato de que o alvo deste Manifesto dedica a arte de escrever a maior parte de seu tempo e bagagem, não lhe sobrando tempo para coisas importantes como comer ou dormir; e que o mesmo teima em dormir 4 horas por noite, mesmo assim em sonos entrecortados por inspiração de criação de textos literários. O mesmo ainda teima em afirmar que realmente poesia não enche barriga, mas enche a alma.

5 – E finalmente também é de conhecimento popular o maior dos erros, podendo até ser chamado de maior dos crimes, do destinatário do presente Manifesto Singular, o fato de ter chegado o mesmo aos 51 anos de idade sem uma moeda em seus bolsos rasgados, com listas de protestos financeiros e que, mesmo em função disso, não tenha amealhado sequer um barraco ou apartamento popular. Como justificativa para sua incompetência financeira, ainda tem a coragem de afirmar: poeta é igual a feira-livre: todos querer ter por perto, mas não na porta de casa.

Expostos os motivos que provocaram o presente Manifesto, cabe a segunda parte da estrutura literária de um Manifesto, que é a de convencer o leitor de que algo precisa ser feito em função das atitudes do destinatário usando argumentos sólidos e conclamar a comunidade a uma análise e resolução de um problema.

Sendo de conhecimento popular e erudito que “poesia não enche barriga” e que, o conceito “alma” seja de cunho extremamente subjetivo, algo inerente á santidade e aos deuses, cabe portanto ao alvo deste Manifesto deixar guardadas suas auto-proclamadas “criações literárias” e passar a buscar formas autênticas e válidas de obter a única coisa que existe de valor: o valor monetário. Tal busca certamente culminará no enchimento e preenchimento não só da sua barriga e alma, ou qualquer coisa que pretenda encher e preencher, como as de pessoas que ainda acreditam que o melhor preenchimento de suas necessidades é feito com o fruto do trabalho alheio.

Cabe também ao alvo deste Manifesto, ser um ser ponderado, calmo e que aceite passivamente todas as intempéries que se abatam sobre sua vida, mesmo com relação ás pessoas e fatos que causam tais fenômenos psicológico-atmosféricos. Mesmo quando sentir-me enganado e ludibriado, deve o mesmo manter-se calmo e paciente, preferencialmente acreditando em deuses, santos, anjos e outras entidades inerente á santidade, para a resolução de seus problemas.

É mister que o destinatário deste Manifesto compreenda finalmente que a honestidade de atos e princípios é coisa em desuso e que sempre o que importa é, ao contrário de sua crença, ter e não ser, mesmo porque o SER será lembrado apenas depois da morte, e que em vida o que importa mesmo é o TER.

Que por qualquer meio, forma ou jeito existentes o alvo deste Manifesto amealhe dinheiro, posses, bens. Qualquer forma é válida, mesmo que ilegal e não importa o que lhe custe, desde que o resultado bom possa ser repartido com outras pessoas que sem coragem e disposição dependem da coragem e disposição alheias para arrecadar coisas, bens, objetos.

Finalmente, que o objeto e o fundamento maior deste Manifesto seja cumprido. Afinal um homem de 51 anos de idade não pode nem deve acreditar em coisas cujas necessidades não tem nenhum valor monetário, cujos motivos não são explicados e cujas metas são totalmente imponderáveis. Tais coisas que atendem pelos nomes – ou seriam alcunhas – de “Poesia” e “Paixão”, devem ser exterminadas, sob o risco de que a sociedade moderna tenha expostas suas vísceras e vícios doentes o que poderia causar estados alterados da mente, delírios e finalmente a morte.

Que morra o Poeta e que morra a Poesia que ele carrega. Que viva o Dinheiro e que viva o Poder que ele carrega.

A Poesia sonega o Dinheiro, mas e o Dinheiro, sonega a Poesia?

11/10/2009

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

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