Nossas Faltas, Nossos Excessos
Era tanta dificuldade que a gente comia até saudade,
Mas era tanta felicidade que bebíamos até a maldade.
Tanta falta de presente que a gente comia até o futuro,
Então bebíamos a noite até ficar totalmente no escuro.
Tínhamos falta de tanta coisa, mas nunca de desejo,
E então nos comíamos pensando que éramos queijo.
Nossa falta era tanta que tínhamos falta até de nada,
E aí comemos um grilo pensando que era uma fada.
Tínhamos falta, mas nem tanta falta assim se fazia,
Porque nunca se fez faltar aquilo que o poeta dizia:
Que faltar pode de tudo, desde que não falte querer,
Já que poesia não falta no lugar onde existe o prazer.
Havia tanta falta, de tudo e um pouco além de demais,
Que nunca sentíamos a falta de nunca termos o jamais.
Éramos nossos, e de nós mesmos nunca nos furtamos,
Nós tínhamos de sobra tudo o que de nosso chamamos.
Tínhamos muita falta, mas excessos também de sobra,
E excedíamos nos pagamentos que o agiota não cobra.
Faltamos com o credor, o penhor até com o crediário,
Mas nunca nos faltou ardor em nosso desejo solidário.
Faltou-nos de tudo e até por dias inteiros o próprio ar,
Mas nunca sentimos falta do que poderíamos nos dar.
E se agora sentimos falta daquilo que um dia fomos,
Sabemos que o que não nos falta é aquilo que somos.
04/09/2019


Memórias Arrependidas de Um Poeta Sem Pudor
(Antologia Poética, de 1978 a 2025)
Barata Cichetto
Gênero: Poesia
Ano: 2025
Edição: 4ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 876
Impressão: Papel Pólen 80g
Capa: Dura
Tamanho: 16 × 23 × 5,2 cm
Peso: 1,50
Brindes Incluídos:
2 Marca-páginas da BarataVerso;
1 Marca-página BarataVerso em Couro;
2 Adesivos do BarataVerso;
1 Sobrecapa
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.
