O Poeta Xingou Minha Mãe de Puta e Eu Lhe Dei Uma Porrada

O título é mais que chamativo. Foi decalcado do curto poema Vingança Entre Poetas. Há quem pense que foi bolado para atrair a atenção de um possível leitor. Só que não há um possível leitor, e sim, apenas dez. Dez! Se o Poeta de fato produziu às próprias custas uma tiragem tão curta, com os exemplares numerados de 1 a 10, sou o felizardo que recebeu o derradeiro.

Mais uma vez, Barata Cichetto apronta das suas, derivadas de suas inquietações onipresentes e insônias constantes, abastecidas — ou aliviadas, sei lá eu — com tragadas de cigarro e goladas de café, supostamente (penso) amargo, sob o olhar indecifrável de suas gatas. No prefácio de conteúdo forte como o café que ele bebe, está claro o desejo de dar um basta na poesia, a pedido de suas gatas. E não há mais rock, nem o rock da poesia. O presente da Poesia é o futuro tão temido em um passado não tão distante. O Poeta certamente não é o primeiro a senti-lo, já que a poesia e a prosa são, para o bem ou para o mal, a razão para continuar vivo, às vezes semeando em terreno infértil, não para a literatura em si, mas de leitores interessados.

Como sempre, o escritor faz vir à luz seus escritos de lavra recente, sempre tendo as mulheres como suas amigas/inimigas/cúmplices/servas/parceiras, em profundos mergulhos num mar de luxúria, praticados quase sempre em quartos de hotéis baratos, entre intensas trocas de fluídos corporais e palavreados chulos capazes de chocar o leitor desavisado e chegado a um puritanismo divulgado socialmente e pela internet a fora. Mas que, entre quatro paredes faz valer o que está expresso nos escritos explicitados neste livro.

Por fim, “O Poeta Xingou…” cumpre bem o papel da poesia livre, sacana, essencialmente urbana e humana, independente de amarras ideológicas, e despida de floreios desnecessários e hipócritas. O livro faz bom uso do mesmo terreno por onde passaram grandes poetas, muitos deles só lembrados depois de mortos. Mas, Barata Cichetto continua vivo. Muito vivo.

Genecy Souza, 15/01/2017

O Poeta Xingou Minha Mãe de Puta e Eu Lhe Dei Uma Porrada
Barata Cichetto
220 Páginas
21 X 29,7 cm
Editor’A Barata Artesanal
2016
Para Comprar: (Esgotado)

Genecy Souza, de Manaus, AM, é Livre Pensador.
Possui textos publicados na revista digital PI Ao Quadrado e na revista impressa Gatos & Alfaces.

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