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Opera Mundi Terceira Parte: Mare Crisium

Fui eu que deixei…
A cinza das horas…
Levar o meu platônico amor! Por ti.
Minha divina Luna!
E o olhar da Medusa…
Sepultou o meu profano amor! Por ti…
Para todo o sempre.
Minha Beltia imortal…

Samuel da Costa

Luna Dark, flanava acima do deserto da desolação, a poucos metros ela olhava para baixo e viu os destroços de veículos militares, de transporte e de exploração. A afra rainha, se deteve em particular em uma belonave exploradora interestelar Bororo, com muitas dificuldades, Luna fez um escâner e descobriu que não havia restos mortais, dentro da belonave. E fez o mesmo, com outra aeronave interestelar transportadora Yatê, que estava ao lado da belonave exploradora. O resultado foi mesmo, não havia sinais aparentes das tripulações dos veículos e as astronaves e apesar dos estados de deterioração avançada, os comandos dos veículos estavam intactos, assim como os couraças exteriores. Em suma, os aparelhos não entraram em combate e não havia sinais dos tripulantes dos aparelhos.

Luna Dark, a sonhadora em vigília, tentou acessar os arquivos e os diários de bordo, os manifestos de carga, os inventários bélicos e civis, nas aeronaves interestelares. Luna não teve acessos aos dados, estavam hermeticamente fechados, dentro de arquivos que por sua vez estavam resguardados em outro arquivo. Luna, já tinha visto algo assim antes, sequestraram os aparelhos, se livraram das tripulações, escaniaram as máquinas, acessaram os dados dos aparelhos, baixaram os arquivos, apagaram os arquivos e deixaram para trás cascas ocas. Calibor, o raptor de almas, eram as digitais dele em toda parte. Luna, se vislumbrou em êxtase, ao ver as negras aves Moris empoleiradas nos veículos, os grasnares das aves mais velhas e os piares das aves mais novas, eram agourentos, eram maviosas sinfonias, para a sonhadora em vigília.

Luna Dark, a sonhadora em vigília, olhou para cima e divisou ao longe o lendário dirigível Mare Crisium, a belonave intergaláctica, se locomovia rápido, manobrava como se fugisse de alguém ou alguma coisa. Luna tentou ver, quem estava na ponte de comando da belonave e não conseguiu, tentou entrar em contato com o comandante da ponte e também não conseguiu. Um enorme alerta, disparou no âmago mais profundo da afra rainha. Luna decidiu ir até o dirigível ver de perto o que ocorria.

Luna flanou até o dirigível, foi tentar a sorte, ao bater na porta do ignoto. Ao chegar perto da célebre belonave de combate, a porta lateral esquerda, do dirigível, se abriu lentamente. A sonhadora em vigília, adentrou triunfante, na belonave e a escuridão abissal, a tragou por completo.

— Bem-vinda milady! Minha afra rainha! — Falou e se curvou de forma solene, a comandante Bartira, devidamente trajada, com seu uniforme de hussardo. De longos e reluzentes cabelos negros e os olhos castanhos rasgados da militar, de baixa estatura e de alta patente. A situação sui generis, trouxeram lembranças para a sonhadora em vigília, lembranças que ela queria esquecer, lembranças de Carcosa. Luna, também pensou em Madalena Assumi, ao olhar mais profundamente o traje militar de Bartira.

— Comandante…

— Sei o que a negra rainha, quer saber e para encurtar a conversa, só posso dizer que é o Lord Calibor e não posso dizer mais nada! — Proferiu seca a comandante andando para perto de Luna, a militar colocou a mão esquerda no peito e à direita na costa e se curvou lentamente e se levantando com rapidez.

Luna escaneou o digerível, de popa a proa e notou a presença de gatos domésticos, vários, de várias raças, cores e tamanhos.

— Procuro a Turris Ebúrneas, preciso ter uma audiência como Vate de ébano! — Sentenciou, Luna Dark, a sonhadora em vigília.

— Vamos ao meu camarote privativo, milady Luna Dark! — Convidou a comandante Bartira e depois se curvou de forma solene, novamente.

Ao adentrar nas dependências do dirigível, Luna confirmou o que ela já sabia, era uma quantidade enorme de gatos e gatas, que circulavam livremente pelas dependências do dirigível Mare Crisium. Os ronronares e os miados simplesmente não existiam, e saltou aos olhos de Luna Dark, era a quantidade de felinos, muitos mais, que a leitura que ela acabara de fazer. A afra rainha, estava curiosa, com a coisa toda, as duas andaram em meio aos felinos, subindo as escadarias de mármore Carrara, tendo à frente a militar, estavam indo para o segundo piso, e Luna não se conteve e ia abrir a boca para fazer uma pergunta.

— Antes que a milady pergunte, eu vou levá-los de volta para a cidade de Ulthar! Estavam em conferência, estavam debatendo uma constituição! — Falou a comandante Bartira e ao olhar para trás a afra rainha, notou que o rosto do militar tinha mudado. Era uma belíssima mulher afro albina, que estava na frente da sonhadora em vigília. Mais uma vez a curiosidade se agigantou dentro de Luna, pois ela sabia quem eu era a comandante Bartira, uma fiel serva do Lord Calibor. E ao subir as escadarias de mármore, a sonhadora em vigília, começou a repensar os passos que a fizeram chegar até ali.

Fragmento do Livro: Sustentada no Ar por Negras Asas Fracas, texto de Clarisse Cristal, poetisa, contista, cronista, novelista e bibliotecária em Balneário Camboriú, Santa Catarina.

Argumento de Samuel da Costa, poeta, contista, novelista e cronista em Itajaí, Santa Catarina.

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