Quando escrevo não escolho palavras, nem as cores das tintas
E não me importo como escutas ou com que dores é que pintas
Há cores e há dores e há rimas de todas os espectros e matizes
Então que importa se chamo de damas, de putas ou meretrizes?
E quando escrevo não escolho o papel e nem mesmo a cor da caneta
Pois mesmo no computador escrevo poesia como quem bate punheta
Então que importa o instrumento que uso para te conduzir ao prazer
Se escarrar é o mesmo que esporrar, e tudo aquilo que posso trazer?
Quando escrevo, transido e translúcido, nu e pecaminoso feito vela
Coloco em minha poesia toda a maldade que a humanidade revela
Se não sou poeta, mas apenas filósofo iletrado que carrega mortos
O que posso escrever senão a maldição dos que ficaram nos portos?
Quando escrevo o faço por ódio e rancor contra toda a humanidade
E se criticam minha misantropia é porque não conhecem a realidade
Então por que reclamas que pinto as coisas com as cores que tem
E me matas por saber que venho de um lugar que não lhe convém?
Ah, mas quando escrevo, uso todas as letras e palavras existentes
Não abro mão de usar a todas que conheço, todas são resistentes
Letras tem cores, palavras tem sentimento, e palavras morrem
E quando uma morre, proibida, todas as outras a ela socorrem.
Ao escrever uso mesmo aquelas mortas, as palavras moribundas
E são as mesmas que usam as bichas, as putas e as vagabundas
Portanto quando uso palavras certas que manda a minha mente
Chamam a mim de escroto, de porco e de incorreto politicamente.
Eu escrevo e sei escrever da forma que acredito precisa ser escrito
Sou fora de moda, de época, um escritor que precisa ser proscrito
A verdade tem um preço e as palavras custam caro a quem as diz
Absoluta ou relativa é palavra eterna que com a morte não condiz.
E por fim eu escrevo o que precisa ser dito, e digo com muito tesão
Porque essas palavras são as armas poderosas da minha revolução
E se meu caralho te ofende, se te chamar de puta te humilha tanto
Foda-se e guarde para si a tua frustração e teu maldito desencanto.
11/01/2015


Memórias Arrependidas de Um Poeta Sem Pudor
(Antologia Poética, de 1978 a 2025)
Barata Cichetto
Gênero: Poesia
Ano: 2025
Edição: 4ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 876
Impressão: Papel Pólen 80g
Capa: Dura
Tamanho: 16 × 23 × 5,2 cm
Peso: 1,50
Brindes Incluídos:
2 Marca-páginas da BarataVerso;
1 Marca-página BarataVerso em Couro;
2 Adesivos do BarataVerso;
1 Sobrecapa
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.
