Psico

Estou fechado no quarto escuro, percebi que há algo errado,
O meu psiquiatra é surdo e eu sou mudo
E tenho chorado muito nos silêncios
Choro como quando chove lá fora
Ainda posso ver as lágrimas caírem e correrem pelas valas
E amanhecerem como multidão de orvalhos
Dão flores nos olhos, filhas naturais do calados poemas
Escutavam-me apenas as montanhas e as planícies,
Enquanto as andorinhas bicavam os reflexos nas goteiras
Deram-me duas moedas para pôr sobre os olhos, ainda é cedo
Preciso arrumar minha mente, minha casa, minha vida
Há apenas duas estrelas no céu que tentam aproximarem-se
Lembro-me dos conselhos da noite
Quando dos teus cantos teu canto abriam-se as esperas
Das vias das tristezas e das impossibilidades do futuro
Compreendi então que eras a minha companheira no confuso presente,
de uma viagem de atormentadas visões, todas juntadas entre as paredes e as portas, Ainda guardo lembranças, boas
Quando deitávamos sobre a grama úmida
Pelo muito que te tenho chorado, peço perdão aos olhos,
Mas o coração anda perdido e sufocado de segredos
quando se abre a porta de ferro e não está mais lá
Vejo na noite que há apenas uma estrela.

Charles Burck, é o heterônimo de Wilson Costa, Rio de Janeiro, RJ. Autor, romancista, poeta e webdesigner.
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